Um áudio divulgado recentemente ampliou a repercussão do caso envolvendo o deputado estadual Guto Zacarias, investigado por suposta violência psicológica contra a ex-companheira. O material foi divulgado pelo canal Meteoro Brasil e já havia sido citado em denúncia do Ministério Público de São Paulo.
Na gravação, uma voz atribuída ao parlamentar descreve métodos de interrupção da gravidez, menciona a duração do procedimento e cita clínicas em áreas de alto padrão de São Paulo. Em um dos trechos, ele afirma: “Não consigo entender nenhum motivo para não fazer esse método”, ao tentar convencer a mulher.
Segundo o Ministério Público, a ex-companheira relatou ter sofrido pressão, chantagem emocional e constrangimentos durante a gestação. A conduta foi enquadrada como violência psicológica com base na Lei Maria da Penha. O caso tramita em segredo de Justiça.
Após a divulgação do áudio, a Bancada Feminista do PSOL protocolou um pedido de cassação do mandato do deputado no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), alegando quebra de decoro parlamentar.
A denúncia aponta que os episódios teriam ocorrido entre 2024 e o início de 2025, após o fim do relacionamento, quando a mulher informou que estava grávida. De acordo com a acusação, o parlamentar teria intensificado contatos e tentativas de influenciar a decisão da ex-companheira.
Em defesa, Guto Zacarias nega as acusações e afirma ser alvo de perseguição política. Ele também declarou que nunca forçou a ex-companheira a tomar qualquer decisão.
A mulher, que inicialmente registrou boletim de ocorrência, posteriormente recuou e disse que agiu por impulso. Mesmo assim, o andamento do caso segue sob responsabilidade do Ministério Público.
O Conselho de Ética da Alesp ainda deve analisar o pedido de cassação e decidir se há elementos para abertura de processo disciplinar, que pode resultar em sanções que vão de advertência até a perda do mandato.


