20 de junho de 2026

Acre registra mais de 1,1 mil conflitos socioambientais em pouco mais de duas décadas

Acre registra mais de 1,1 mil conflitos socioambientais em pouco mais de duas décadas
Foto: Ibama

O Acre registrou ao menos 1.191 conflitos socioambientais entre 2002 e 2023, segundo dados do Observatório Socioambiental, divulgado nesta semana pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). O levantamento evidencia a relação direta entre disputa por terra, violência no campo e pressão ambiental no estado.

A maior parte dos conflitos está ligada à questão fundiária. Foram 895 registros, o equivalente a 75,1% do total. Na sequência aparecem os casos de trabalho escravo, com 189 ocorrências (15,9%), e situações de violência contra pessoas, que somam 104 casos (8,7%). Já os conflitos envolvendo água são raros, com apenas três registros.

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Esse cenário segue uma tendência nacional. A disputa por território é hoje o principal motor da violência no campo brasileiro, impulsionada pelo avanço da fronteira agrícola e pela pressão sobre áreas ocupadas por povos indígenas, comunidades tradicionais e pequenos produtores.

Além da violência, os dados reforçam o impacto ambiental dessa dinâmica. No período analisado, o Acre acumulou mais de 1,33 milhão de hectares desmatados. Desse total, 51,3 mil hectares correspondem a desmatamento não autorizado, enquanto 3.045 áreas foram embargadas por irregularidades.

Outro ponto de alerta é o avanço das queimadas. O estado teve mais de 4,23 milhões de hectares atingidos pelo fogo, evidenciando a pressão contínua sobre a floresta amazônica.

Especialistas apontam que, apesar da relevância ambiental da região, o crescimento das atividades econômicas sem controle adequado pode ampliar ainda mais os conflitos e a degradação nos próximos anos.