A dura tarefa de colocar nas telas do cinema a vida do maior showman de todos os tempos por muitos anos foi motivo de dúvidas e até mesmo soou como um verdadeiro campo minado. Por outro lado, o diretor Antoine Fuqua entrou na guerra e agora estreia a aguardada cinebiografia “Michael”, carregando seu peso de expectativas monumentais.
Com sessões especiais disponíveis já nesta terça-feira (21/4) em vários cinemas espalhados pelo Brasil, o longa entrega um espetáculo musical elétrico, que é alavancado por atuações impressionantes. A produção chega, no entanto, com seus tropeços ao tentar fazer uma espécie de higienização na história do protagonista.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Cena de “Michael”, cinebiografia de Michael JacksonCrédito: Reprodução YouTube/Universal Pictures Cenas de “Michael”, cinebiografia de Michael JacksonCrédito: Reprodução YouTube Lionsgate Movies Cena de “Michael”, cinebiografia de Michael JacksonCrédito: Reprodução YouTube Lionsgate Movies Cena de “Michael”, cinebiografia de Michael JacksonCrédito: Reprodução YouTube Lionsgate Movies Cenas de “Michael”, cinebiografia de Michael JacksonCrédito: Reprodução YouTube Lionsgate Movies Cenas de “Michael”, cinebiografia de Michael JacksonCrédito: Reprodução YouTube Lionsgate Movies
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Já no começo do filme, o pequeno Juliano Krue Valdi conquista a audiência logo de cara com sua atuação impactante de Michael Jackson [1958-2009] na infância. O garoto consegue fazer arrepiar nas sequências em que o artista surge cantando em seus primeiros ensaios – e é encantador.
É impossível não notar como o trabalho de direção de elenco foi primordial para fazer uma conexão visível entre o jovem e Jaafar Jackson, outro grande e inquestionável trunfo da obra. Por ser um estreante na atuação, o sobrinho do Rei do Pop causou certo ceticismo em grande parte da indústria, mas mostrou que nasceu para esse momento.
O resultado, muitas vezes, é de cair o queixo, até porque o artista conseguiu fugir de uma imitação coreografada ou até de uma caricatura do parente e absorveu sua vulnerabilidade e genialidade. Desde a melancolia no olhar até a entrega nos bastidores de projetos importantes, o ator impressiona. É um trabalho corporal e vocal tão magnético que justifica a ida ao cinema para viver essa experiência que o filme consegue entregar.
Colman Domingo é o grande nome de “Michael”
Dividindo o peso dramático do longa, Colman Domingo assume a espinhosa missão de viver o temido patriarca Joe Jackson e consegue dominar a maior parte de suas entradas. É uma atuação digna de aplausos, que está envolvida com muita tensão e complexidade.
Domingo constrói um homem movido por uma ambição sufocante, cuja rigidez moldou a genialidade do filho enquanto o destruía psicologicamente. Por outro lado, também encontramos aí uma das maiores falhas da cinebiografia, que demonstra uma aparente falta de coragem. Com o passar dos anos, os relatos envolvendo Joe Jackson foram muito mais brutais do que aparece no filme. A segunda metade de “Michael” acaba sofrendo com problemas de ritmo e saltos temporais convenientes, nos quais fica explícita a inserção para aliviar e desviar acusações graves.
Por mais que a história do astro tenha ganhado uma sensibilidade maior aqui, sabemos que muitas polêmicas também aconteceram com o passar dos anos. Justamente por isso, o tom de biografia visceral é abandonado para abraçar uma estética de blindagem, evitando seguir por caminhos que poderiam render debates complicados.
Biografia de Michael Jackson evitou manchar seu legado musical?
Da infância complicada, a direção de Antoine Fuqua acerta em cheio ao explicar alguns detalhes que sempre marcaram a trajetória do artista, como seu interesse por animais e o gosto por ajudar crianças. Por outro lado, você sai com a sensação de querer entender o grande motivo por trás da falta de temas mais delicados.
Nia Long interpreta Katherine Jackson, mãe do cantor, e sua jornada vira motivo de muitas dúvidas sobre o papel de conseguir servir como um ponto de equilíbrio para a relação delicada entre pai e filho. Nesse momento de empolgação do público para acompanhar essa fase do astro, existe uma grande expectativa para que assuntos mais complicados estejam na continuação.
Experiências sensorial
Produções do cinema como essa exigem que você vá viver a experiência em uma grande tela e com um som imersivo. Esse é o caso aqui, já que a direção acerta em cheio ao resgatar a mágica incomparável que Michael Jackson exercia sobre multidões.
É um projeto que ficou literalmente estrondoso, feito para ser consumido com o volume máximo e fazer com que você se sinta assistindo a uma das grandes apresentações do Rei do Pop. Mesmo com o roteiro fechando os olhos para uma intensa tempestade que também cercou a vida pública e pessoal de Michael Jackson, esse é, sem dúvidas, um filme que os fãs se emocionarão ao acompanhar.
Nota: 6,5/10


