A atualização mais recente da “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo governo federal, chamou atenção não só pela quantidade de novos registros, mas também pelos nomes incluídos no cadastro, como o cantor Amado Batista e a montadora BYD.
O documento, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego desde 2004, reúne empregadores flagrados explorando trabalhadores em condições análogas à escravidão. A inclusão só ocorre após o encerramento de todo o processo administrativo, com decisão definitiva e sem possibilidade de recurso.
Nesta atualização, foram adicionados 169 novos empregadores, elevando o total para cerca de 613. Os casos ocorreram entre 2020 e 2025, em diversos estados, e resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores.
No caso de Amado Batista, há registros em propriedades no interior de Goiás. Segundo as autuações, trabalhadores foram encontrados sem registro formal, submetidos a jornadas exaustivas e vivendo em condições precárias, como alojamentos improvisados e sem estrutura adequada.
Já a BYD foi incluída após fiscalização em uma obra na Bahia, onde mais de 200 trabalhadores chineses foram encontrados em condições consideradas degradantes. Entre os problemas apontados estão alojamentos inadequados, retenção de passaportes e jornadas de trabalho excessivas.
As duas partes afirmaram, em momentos distintos, que houve irregularidades pontuais ou responsabilidade de terceiros, além de destacarem medidas adotadas após as fiscalizações.
A “lista suja” é atualizada duas vezes por ano e tem como objetivo dar transparência às ações de combate ao trabalho escravo no país. Em regra, os nomes permanecem no cadastro por dois anos e só são retirados se não houver reincidência e se as pendências forem regularizadas.
A fiscalização é realizada por auditores do trabalho, muitas vezes em conjunto com outros órgãos. Quando são identificadas irregularidades, é aberto um processo administrativo, no qual os empregadores têm direito à defesa antes da inclusão no cadastro.
Além disso, há a possibilidade de firmar acordos para reparação dos danos, o que pode influenciar na permanência ou retirada do nome da lista.
A divulgação do cadastro é considerada uma das principais ferramentas de combate ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil.


