A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, de 41 anos, voltou aos holofotes após uma série de publicações nas redes sociais em que direciona acusações graves ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à primeira-dama, Melania Trump. A modelo e ex-companheira do empresário italiano Paolo Zampolli, Amanda afirmou que pretende expor “tudo o que sabe” sobre o republicano, a quem chamou de “pedófilo”, e Melania, “mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida”.
Em um dos desabafos, ela escreveu: “Eu vou derrubar o seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Eu vou até o fim, não tenho medo. Talvez você devesse ter medo do que eu sei… de quem você é e de quem é o seu marido (…) Eu não tenho mais nada a perder na minha vida. Eu vou derrubar todo o sistema, tome cuidado comigo, sua idiota”.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Donald e Melania Trump com Paolo Zampolli e Amanda Ungaro no réveillon de Mar-a-Lago, propriedade do republicano na FlóridaFoto: Arquivo pessoal Acima da esquerda para a direita: Donald Trump, Melania Trump, Paolo Zampolli e Amanda Ungaro. Abaixo, da esquerda para a direita: Amanda Ungaro, Donald Trum e Melania TrumpFoto: Arquivo Pessoal
Documento indica que o nome de Amanda Ungaro aparece na lista de passageiros do Lolita Express, no voo de 27 de junho de 2002, entre Paris e Nova York, incluindo o do próprio Jeffrey Epstein (“JE”), de Ghislaine Maxwell (“GM”) e de BrunelFoto: Departamento de Justiça dos EUA A ex-modelo Amanda Ungaro voou no ‘Lolita Express’, o avião de Jeffrey Epstein, financista encontrado morto na prisão enquanto aguardava julgamento por tráfico sexualFoto: Márcia Foletto
A ex-modelo Amanda Ungaro voou no ‘Lolita Express’, o avião de Jeffrey Epstein, financista encontrado morto na prisão enquanto aguardava julgamento por tráfico sexualFoto: Márcia Foletto
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As declarações surgiram após um vídeo publicado por Melania, na última quinta-feira (9/4), no qual a primeira-dama negava qualquer vínculo com Jeffrey Epstein, acusado de crimes sexuais. Após a repercussão, o perfil de Melania foi arquivado e as postagens de Amanda acabaram sendo removidas.
Nas mensagens, Amanda afirmou ter convivido por duas décadas no mesmo círculo social do casal e disse que pretende recorrer à Justiça contra Melania e “seu marido pedófilo”. Em outro trecho, detalhou episódios do passado:
“Você sabia que eu estava detida no ICE [polícia de imigração americana]. Você esteve presente na minha vida — todos os anos no aniversário do meu filho, inclusive enviando o Serviço Secreto e sendo a primeira a parabenizá-lo, lá em 2016. Algo claramente estava errado, mas eu não faço parte de nenhuma missão maligna envolvendo crianças. Então o que você fez, Melania? Você tentou me envolver, mas falhou — porque eu tenho caráter”.
A fala remete ao episódio em que Amanda foi deportada dos Estados Unidos em 2025, após mais de duas décadas no país. Em entrevista anterior ao jornal O Globo, ela atribuiu a decisão à influência de seu ex-companheiro, Paolo Zampolli, nos bastidores políticos em Washington — informação que também foi apontada em reportagem do New York Times.
Segundo a publicação, Zampolli teria atuado diretamente para que Amanda fosse encaminhada a um centro de detenção do serviço de imigração antes de obter liberdade provisória. A medida, de acordo com o relato, estaria relacionada à disputa judicial pela guarda do filho do casal, Giovanni, de 15 anos.
Em entrevista, Amanda descreveu a abordagem policial que resultou em sua detenção:
“Policiais entraram na nossa casa às seis da manhã, me jogaram de pijama no corredor, com o rosto voltado para a parede, e pegaram nossos passaportes. Algemaram a mim e ao meu atual marido na frente do Giovanni (seu filho), que também foi levado à delegacia porque é menor e eu não tinha com quem deixá-lo”, contou.
Ela também afirmou que pode ser chamada a depor no Congresso dos Estados Unidos, no âmbito de investigações em andamento.
Relatos sobre Epstein e experiências passadas
Amanda ainda relatou um episódio envolvendo Jeffrey Epstein, ocorrido em 2002, quando tinha 17 anos. Segundo ela, esteve em um dos aviões do financista ao lado de diversas jovens:
“Tinha mais ou menos umas 30 meninas no avião. Achei aquilo muito estranho. Elas eram mais parecidas com estudantes do que com modelos. Bonitas e bem novinhas, mas não tinham perfil de modelo”
A viagem teria ocorrido para um suposto casting em Nova York, com partida de Paris. Na ocasião, Amanda estava acompanhada de seu agente, Jean-Luc Brunel, apontado como recrutador ligado a Epstein.
Pouco tempo depois, ela iniciou o relacionamento com Paolo Zampolli, com quem viveu por 19 anos. A ex-modelo acusa o empresário de abuso sexual e violência doméstica durante o período. Um dos episódios relatados teria ocorrido após uma festa:
“Eu falei: “Isso se chama estupro. Eu fui abusada”. Ele reagiu com uma risada”, disse Amanda, ao lembrar de uma situação em que afirma não ter consentido o ato.
Festas, poder e conexões influentes
Amanda também descreveu o ambiente frequentado ao lado de Zampolli, que incluía eventos luxuosos e encontros com figuras influentes. Segundo ela, o empresário a levava a festas organizadas pelo rapper Sean “Diddy” Combs e a eventos em iates com a presença de celebridades e membros da realeza europeia.
De acordo com seu relato, Zampolli demonstrava preocupação com possíveis riscos nesses ambientes, chegando a levar um garçom próprio para evitar qualquer adulteração em bebidas.
Relações políticas e influência
Paolo Zampolli mantém uma relação próxima com Donald Trump há décadas e atualmente ocupa o cargo de enviado especial para parcerias globais. A conexão entre ambos remonta aos anos 1990, quando se conheceram em Nova York.
Durante a campanha presidencial de 2016, o empresário ganhou destaque ao afirmar ter sido responsável pela regularização do visto de trabalho de Melania Trump, ainda na época em que atuava como agente de modelos.
O círculo social que envolvia Zampolli também incluía Jeffrey Epstein. Em 2004, os dois chegaram a tentar adquirir a Elite Models, uma das maiores agências do setor. Além disso, o nome do empresário aparece diversas vezes em documentos relacionados ao caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.


