O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi preso pelo ICE nos Estados Unidos. A informação foi confirmada pela Polícia Federal.
De acordo com informações preliminares, a prisão ocorreu na cidade de Orlando, onde Ramagem foi encaminhado a um centro de detenção. As autoridades brasileiras foram comunicadas por volta do meio-dia (horário de Brasília).
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Ramagem foi detido por questões relacionadas à sua situação migratória. O governo brasileiro acompanha o caso e aguarda detalhes sobre os procedimentos para o possível retorno ao país.
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a prisão ocorreu no contexto de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ele afirmou ainda que o ex-parlamentar era considerado foragido da Justiça brasileira e estava em situação irregular no território norte-americano.
Ramagem deixou o Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. As investigações apontam que ele teria integrado o núcleo central de uma articulação que visava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
De acordo com a Polícia Federal, o ex-deputado teria deixado o país de forma clandestina, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana antes de seguir para os Estados Unidos.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição junto ao governo norte-americano, após envio da documentação pela embaixada brasileira em Washington.
O ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol, o que permitiu sua detenção fora do país.
Aliados afirmavam que o ex-deputado pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos.
Antes da prisão, Ramagem já havia sofrido sanções no Brasil, incluindo a cassação do mandato pela Câmara dos Deputados, cancelamento do passaporte diplomático e bloqueio de vencimentos, por determinação do STF.
Quem é Alexandre Ramagem
Delegado da Polícia Federal desde 2005, Ramagem ganhou notoriedade ao atuar na segurança de Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.
Posteriormente, foi nomeado chefe da Agência Brasileira de Inteligência, gestão que passou a ser investigada por suposto uso indevido da estrutura do órgão para monitoramento de adversários políticos, no caso conhecido como “Abin Paralela”.
Em 2020, sua indicação para a direção-geral da Polícia Federal foi suspensa por decisão do ministro Alexandre de Moraes, devido à proximidade com a família Bolsonaro.
Ele foi eleito deputado federal em 2022 e teve o mandato cassado em dezembro de 2025, após a condenação no processo relacionado à tentativa de golpe. Em 2024, também disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro, ficando em segundo lugar.


