Além dos confrontos no campo de batalha, Estados Unidos, Israel e Irã também disputam espaço em outro front: as redes sociais. Nesse cenário, a propaganda e a disseminação de conteúdos falsos têm sido utilizadas como estratégias para influenciar a opinião pública.
Uma onda recente de ferramentas baseadas em Inteligência Artificial tem intensificado esse tipo de atuação. Em poucas semanas, mais de 100 imagens e vídeos manipulados circularam amplamente, acumulando milhões de visualizações. Muitas dessas produções mostram cenas de explosões, ataques e destruição que nunca aconteceram.
Apesar de alguns conteúdos reais também serem divulgados, o material falso tende a se espalhar com mais rapidez. Parte dessas publicações promove narrativas favoráveis ao Irã, buscando transmitir a ideia de superioridade militar e aumentar a percepção de danos causados aos adversários.
Entre os exemplos, um vídeo falso simulou um ataque com mísseis sobre Tel Aviv. Já outras peças produzidas com inteligência artificial foram usadas para ilustrar eventos reais, como ataques militares, mas com imagens manipuladas para reforçar determinadas narrativas.
Do outro lado, o governo americano também utiliza recursos de comunicação para ampliar sua mensagem, misturando referências da cultura pop, como esportes e filmes, com imagens reais da guerra. Um desses conteúdos gerou reação do ator Ben Stiller, que criticou o uso indevido de sua imagem em uma publicação.
Israel também participa dessa disputa digital. Em uma das ações recentes, autoridades israelenses divulgaram uma imagem satírica envolvendo o líder iraniano Mojtaba Khamenei. Já representantes iranianos responderam com provocações nas redes sociais.
Especialistas alertam que o uso massivo dessas tecnologias está mudando a forma como os conflitos são percebidos. Segundo a pesquisadora Mahsa Alimardani, o principal impacto é a geração de dúvida, fazendo com que o público passe a questionar até mesmo informações verdadeiras.
A especialista Tine Munk destaca que a linguagem utilizada — muitas vezes semelhante a jogos, filmes e conteúdos virais — pode reduzir a percepção da gravidade da guerra. Isso, segundo ela, cria distanciamento emocional e contribui para a banalização dos conflitos.
Com o avanço da tecnologia, a guerra moderna deixa de se limitar ao campo físico e passa a ser travada também no ambiente digital, onde a disputa por narrativas se torna cada vez mais intensa.


