A antiga piada de que “não tem internet no Acre”, comum em datas como o 1º de abril, já não corresponde totalmente à realidade. Ainda assim, os dados mais recentes mostram que o estado segue enfrentando dificuldades para ampliar o acesso à conectividade.
Mesmo com avanços nos últimos anos, a infraestrutura limitada e a concentração dos serviços em poucas regiões continuam sendo entraves. No Acre, que possui 22 municípios, a distribuição do sinal ainda é desigual e restrita em diversas localidades.
Mais de três anos após a implementação do 5G no Brasil, a cobertura no estado alcança cerca de 46% da população, conforme dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Quando considerado o número de residências, o índice é semelhante, chegando a aproximadamente 47,5%.
A presença da tecnologia também é reduzida em termos territoriais. Apenas sete municípios contam com cobertura 5G, o que evidencia a dificuldade de expansão da rede.
Dentro do próprio estado, há disparidades significativas. Em Rio Branco, a capital, a cobertura chega a cerca de 88% dos moradores e 87% dos domicílios. Já em cidades como Brasiléia (50,75%) e Manoel Urbano (50,51%), pouco mais da metade da população tem acesso ao serviço.
No cenário nacional, o Acre aparece abaixo da média. Em todo o país, cerca de 65% da população já é atendida pelo 5G, com presença em mais de dois terços das residências.
A limitação estrutural ajuda a explicar esse descompasso. O estado possui o menor número de antenas de telefonia móvel do Brasil, com cerca de 185 unidades instaladas, segundo dados do Conexis Brasil Digital. Ao lado de Roraima, é um dos poucos com menos de 200 equipamentos.
Outro fator que influencia o cenário é a atuação restrita de operadoras, já que apenas três empresas oferecem o serviço na região, o que impacta tanto a expansão quanto a qualidade da conexão.
Os desafios também se refletem na educação. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, apenas 52,5% das escolas do Acre possuem acesso à internet.
Embora o índice represente melhora em relação ao ano anterior, ainda está abaixo do considerado adequado pelo Ministério da Educação (MEC), que aponta como insuficiente qualquer cobertura inferior a 70%.
Na comparação com outros estados da região Norte, o Acre também apresenta desempenho inferior, ficando atrás de Amazonas, Roraima e Amapá. Em âmbito nacional, o cenário é mais positivo, com quase todas as escolas de educação básica já conectadas à internet.
Com informações do G1 Acre.


