O fenômeno que nasceu dentro de “Três Graças” acaba de ganhar vida própria e com estratégia bem alinhada ao comportamento do público de hoje. Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky), o casal que virou assunto nas redes e conquistou uma legião de fãs, agora protagonizam “Loquinha”, novelinha vertical que estreia nesta segunda-feira (6) nos perfis da Globo.
Com 25 episódios curtos liberados de uma vez, o projeto aposta em um formato direto ao ponto, pensado para consumo rápido. A ideia não é interferir na trama original da novela das nove, mas aprofundar o universo das personagens em histórias paralelas. “O enredo da novelinha vertical não impacta a história delas na novela, são histórias paralelas que aprofundam a história do casal Loquinha. São produtos independentes”, explica a autora Marcia Prates.
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A aposta da Globo não é por acaso. O casal já vinha sendo tratado como um dos grandes acertos de “Três Graças”, com forte identificação principalmente entre o público jovem. Para Marcia, o sucesso veio sem fórmula pronta: “Acho que foi algo natural e espontâneo, por isso virou esse sucesso. Muitas jovens se sentem representadas, pela força e pela delicadeza das personagens, elas têm muita química”.
Mesmo em um formato reduzido, “Loquinha” não abre mão da essência do folhetim. Pelo contrário: ela é condensada. “O público vai encontrar vários elementos do folhetim clássico tradicional, ganchos explosivos, clichês. É uma história leve, romântica e divertida”, adianta a autora.
E se engana quem pensa que, por ser leve, a trama vem sem conflito. A dramaturgia segue apostando em forças externas que testam o relacionamento; inclusive com ecos do clássico “Romeu e Julieta”. “No começo o grande desafio foi que a história das duas já estava estabelecida… então pensei na relação com o pai da Lorena, o Ferette (Murilo Benício)”, conta Marcia. Como o personagem não está diretamente na novelinha, a função de atrapalhar o casal recai sobre Macedo (Rodrigo García) e Lucélia (Daphne Bozaski).
Com décadas de experiência e passagens por sucessos como “Avenida Brasil” e “Império”, Marcia vê no microdrama um caminho sem volta; especialmente quando o foco é o público jovem. “Acho que esse formato tem muito futuro, o público jovem gosta de acompanhar os recortes em diversas redes sociais… o microdrama vem com o espírito dessa geração”, analisa.
No fim das contas, “Loquinha” é mais do que um spin-off: é um teste claro de como a Globo pretende dialogar com novas formas de consumo — sem abrir mão daquilo que sempre soube fazer melhor: contar boas histórias, agora em poucos minutos e na palma da mão.


