‘Aqui é trabalho, meu filho!’. Essa frase que virou bordão do ex-técnico Muricy Ramalho tem tudo a ver com o momento profissional da atriz Mara Carvalho, hoje também abraçando várias atividades, incluindo empreendedorismo.
Em cartaz com o monólogo “Gala Dalí”, sobre a vida da companheira do pintor espanhol, ela exerce funções também no musical “Susi” e comanda um restaurante espanhol e uma escola profissionalizante de teatro. Onde Mara encontra tempo e fôlego para tudo isso, você descobre na entrevista a seguir:
Fazer cultura no Brasil é um grande desafio?
MC – Sim, é um grande desafio, não só pela dificuldade em si, mas também pela dificuldade de levar o público ao teatro. Um país com educação precária não sustenta cultura e, sem público, o teatro, a arte…, morrem.
Como é sua preparação para essa maratona no teatro?
MC – Na verdade, é o amor. A paixão que me move e me dá energia para enfrentar essa maratona de estar em cena praticamente a semana toda.
‘Gala Dali’ faço às terças e quartas, e ‘SUSI’, quinta, sexta, sábado e domingo, sendo que são duas sessões no sábado e duas aos domingos. Eu não canso…
Como é se dividir não só em diferentes trabalhos como atriz, mas também exercer outras funções, como idealizadora e roteirista?
MC – Estou num momento privilegiado e atípico: duas produções teatrais (um musical e um monólogo), as duas de minha autoria. Escrevi ‘Gala’, um texto de profunda pesquisa. Deu trabalho, mas valeu cada noite mal dormida. E ‘Susi’, veio um pouco depois, também com muita pesquisa. Lembrando que, além do texto, escrevi as letras das músicas. A minha sorte é que sou aficionada pelo trabalho! Então, não me canso, muitas vezes viro a noite escrevendo.
O Mientras, espaço para Gastronomia Espanhola, tem também um teatro. Como surgiu essa proposta de aliar gastronomia e cultura. E como funciona sua programação?
MC – Ah, sim… Tenho um restaurante espanhol chamado Mientras, que em português significa “Enquanto”. Essa palavra me define um pouco. Enquanto durmo, escrevo, enquanto tomo um drink, dou boas risadas. É uma palavra que define movimento e conexão. O Mientras fica numa casa muito charmosa, onde também tem um teatro nos fundos. A ideia era unir gastronomia e cultura. Então, enquanto você assiste à uma peça, toma um bom vinho.
Em relação ao período em cartaz de “Gala Dali” e “Susi”, eles vão até quando em São Paulo?
MC – ‘Susi’, fica em cartaz no Sérgio Cardoso até dia 12 abril, e ‘GALA’, também no Sérgio Cardoso, até dia 15 do mesmo mês.
Essas produções poderão viajar para outras cidades? Se alguém desejar levar para sua região?
MC – Quanto a viagens, ‘SUSI’ tem um cenário grande, mas, mesmo assim, é possível viajar, só que para isso precisaríamos de mais aporte para tornar isso viável. Teremos que reinscrever na lei e começar todo o processo novamente. A lei é muito burocrática, tem sempre o tempo hábil para entrar com novo pedido. E ‘GALA’, consigo ter mais facilidade porque a logística é bem menor. Infelizmente, no Brasil, o que precisamos mesmo é público, [porque] as pessoas não têm o hábito de irem ao teatro. A ideia da lei é divulgar arte e incentivar as pessoas a irem ao teatro, mas, em um país com educação precária, é muito mais complicado. Por outro lado, pessoas que têm condições de consumir arte, optam por ver teatro e musicais lá fora. Não valorizam arte no Brasil.
Com essa maratona dedicada ao teatro. E se aparecer um convite para novelas ou séries?
Além dessa maratona dedicada ao teatro, restaurante, Mi teatro, tenho uma escola profissionalizante de teatro, chamada INCENNA, que já formou muitos atores renomados, que hoje estão no mercado. [Mas] se eu receber convites para TV ou cinema, eu consigo sim abrir espaço porque ‘Gala Dali’ depende da minha agenda e ‘Susi’, também tenho autonomia para alterar minha agenda. Amo trabalhar! Sou arte!


