Um ano após o acidente que matou três trabalhadores na Via Verde, em Rio Branco, o motorista envolvido ainda não foi denunciado à Justiça. A colisão ocorreu em 17 de abril de 2025 e resultou nas mortes de Macio Pinheiro da Silva, Carpegiane de Freitas Lopes e Fábio Farias de Lima, além de deixar ferida Rayane Xavier de Lima, única sobrevivente.
Apesar de a Polícia Civil ter concluído o inquérito em setembro de 2025 e indiciado Talysson Duarte por homicídio culposo, o caso segue sem denúncia formal. O processo foi encaminhado ao Ministério Público do Acre (MP-AC), onde permanece em análise na Central de Acordos de Não Persecução Penal (CTANPP), que busca soluções alternativas para infrações de menor gravidade.
A demora na tramitação tem gerado revolta entre familiares das vítimas. Viúva de Fábio, Deisis Furtado afirma que a falta de informações agrava o sofrimento. “A gente não sabe como está o caso, nem em qual instância está. Parece que tudo parou. O motorista segue a vida dele normalmente depois de tudo”, criticou.
Ela relata que o luto permanece intenso, especialmente em datas marcantes. “Tem dias que a saudade bate mais forte. Hoje faz um ano desde o nosso último café da manhã juntos e desde a última vez que ele saiu com a nossa filha. A dor continua todos os dias”, lamentou.
A família também busca manter viva a memória da vítima para a filha do casal. “Falamos dele para ela todos os dias. Ela sente muita falta, mas entende que ele não volta mais. A gente vai levando como dá”, contou. Para Deisis, ainda falta uma resposta efetiva das autoridades. “Falta empatia para julgar e dar um desfecho. Foram três vidas ceifadas”, afirmou.
Rayane Xavier, que sobreviveu ao acidente, afirma enfrentar até hoje consequências físicas e emocionais. Segundo ela, o impacto atingiu toda a estrutura familiar, especialmente os filhos. “Afetou toda a estrutura da minha família. Meus filhos ficaram com muito medo, eu quase não saía de casa porque eles tinham receio de eu não voltar. Minha filha precisou fazer terapia por causa das crises de ansiedade, ela se assustava quando via algum veículo parecido”, conta.
No campo cível, o motorista foi condenado a indenizar a sobrevivente por danos materiais e morais. Ainda assim, Rayane afirma que não recebeu os valores. “Até hoje aguardo um retorno sobre essa indenização e sigo sem nada. Eu só consegui me manter até aqui com ajuda da minha família. A gente vai tentando seguir, mas ainda é difícil lidar com tudo isso. Não tem um desfecho das investigações. No dia o motorista não foi levado para a delegacia e sem prestar esclarecimentos. Isso revolta, porque poderia ter sido diferente”, completa.
Segundo o advogado Emerson Costa, a defesa sustenta que o acidente ocorreu em razão de condições da via. “A defesa sustenta que o ocorrido decorreu de circunstâncias da via, especialmente em razão de frenagem na pista, tese que está sendo devidamente apresentada no processo”, argumentou.
Na época do acidente, a Polícia Rodoviária Federal (PRF-AC) liberou o motorista no local, alegando risco à integridade física diante da revolta de testemunhas. A decisão gerou críticas, mas a corporação afirmou que não houve favorecimento e destacou que o teste do bafômetro deu negativo, além de toda a documentação estar regular.
O delegado responsável pelo caso, Karlesso Néspoli, avaliou posteriormente que a condução do motorista à delegacia teria sido o procedimento adequado. “O rapaz deveria ter sido conduzido, o delegado que estivesse no plantão deveria ter feito as oitivas e acompanhado o caso. Porém, essa questão da saída dele não prejudicou a investigação e os dados que obtivemos. O delegado plantonista ia ouvir ele e liberar. Ele ia ser liberado de qualquer jeito”, confirmou.
Em nota, a defesa de Talysson Duarte afirmou que o caso segue sendo apurado dentro dos trâmites legais. “os fatos relacionados ao caso estão sendo devidamente apurados pelas autoridades competentes, dentro do devido processo legal”. Também declarou que não houve tentativa de evitar responsabilidades e que o assunto deve ser tratado no âmbito judicial.
Com informações do G1 Acre.


