Após mais de dez anos, o governo federal atualizou a lista de espécies aquáticas ameaçadas de extinção no Brasil. A nova relação foi oficializada por meio de portaria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e inclui quase 500 espécies de peixes e invertebrados em risco no país.
O documento substitui a norma anterior, publicada em 2014, e passa a orientar ações de conservação, fiscalização e uso sustentável dos recursos pesqueiros em todo o território nacional.
Embora a maior concentração de espécies ameaçadas esteja nas regiões Sudeste e Sul, a Amazônia também aparece no levantamento. Entre os destaques está o tambaqui, um dos peixes mais importantes para a região Norte, agora classificado como vulnerável à extinção.
No Acre, o tambaqui tem forte peso na economia e na alimentação da população, sendo amplamente consumido e também criado em sistemas de piscicultura. A inclusão da espécie na lista liga um sinal de alerta para a pressão sobre os estoques naturais, principalmente por causa da pesca intensa e das mudanças ambientais.
Além do tambaqui, a nova lista também inclui espécies de peixes elétricos e bagres encontrados na Amazônia, que são especialmente sensíveis a impactos como poluição, desmatamento e construção de barragens.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a atualização foi baseada em critérios científicos e análises técnicas sobre o risco de extinção. A classificação deve servir de base para políticas públicas e pode influenciar regras relacionadas à pesca, manejo e comercialização dessas espécies.
Especialistas apontam que, apesar da grande biodiversidade ainda presente, a região Norte já começa a enfrentar pressões semelhantes às de outras partes do país. O avanço do desmatamento, a degradação dos rios e a exploração de recursos naturais são fatores que aumentam o risco para várias espécies.
Com a nova portaria, o principal desafio será equilibrar a preservação ambiental com a atividade econômica, especialmente em estados como o Acre, onde a pesca e a produção de pescado são essenciais para a geração de renda e a segurança alimentar.


