Defensoria do Rio cobra acesso a imagens e laudos da Operação Contenção após seis meses
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro ainda não teve acesso às imagens das câmeras corporais de agentes de segurança nem aos laudos periciais relacionados à Operação Contenção, realizada há seis meses no Rio de Janeiro.
A operação é considerada a mais letal da história da capital fluminense, com 122 mortos, e segue sendo acompanhada pela Defensoria, que busca informações para reconstruir a dinâmica dos fatos.
Segundo o coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da DPRJ, Marcos Paulo Dutra, o principal ponto ainda sem resposta é o que ocorreu na área de mata, onde se concentram as mortes.
Ele afirma que não há elementos suficientes para confirmar ou contestar a versão apresentada pelas forças policiais.
De acordo com informações encaminhadas pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF), o material enviado pelo estado apresentou falhas técnicas que inviabilizaram a perícia.
Entre os problemas estão a impossibilidade de download das imagens, ausência de mecanismos de validação e inconsistências que impediram o uso das gravações como prova.
O defensor público afirma ainda que as imagens das câmeras corporais da Polícia Militar não foram entregues, sendo disponibilizadas apenas as da Polícia Civil, o que dificulta a análise completa do caso.
A falta desses registros também impede a verificação de possíveis excessos durante a operação.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro informou que a solicitação deveria ser direcionada à Secretaria de Segurança Pública. Já a secretaria e a Polícia Civil não responderam aos pedidos sobre as imagens e os laudos do Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto.
Para a Defensoria, a ausência de acesso ao material não apenas dificulta a investigação, mas também compromete o controle da atividade policial e o direito da sociedade de entender o que ocorreu durante a operação.