Quando Ronald Sotto surgiu como protagonista de “A Nobreza do Amor”, a primeira reação foi quase automática e bastante previsível: impacto imediato pela aparência.
Nas redes sociais, bastaram poucas cenas para o ator virar assunto. Comentários exaltando sua beleza dominaram as conversas, com comparações a galãs de produções internacionais e aquele tipo de reação que viraliza fácil: “absurdo de bonito”, “pinta de protagonista”, “carisma de novela clássica”.
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Só que, no caso de Ronald Sotto, a repercussão não ficou restrita ao óbvio. E é justamente aí que está o ponto mais interessante. Porque, em novela, beleza abre portas, mas não sustenta narrativa.
O que começou como fascínio estético rapidamente virou teste público. E o público, que costuma ser implacável com protagonistas que entregam só imagem, começou a mudar o discurso. Aos poucos, os elogios migraram para a atuação: presença em cena, olhar expressivo e, principalmente, capacidade de segurar momentos mais dramáticos.
É nesse movimento que Ronald Sotto se diferencia. Ele escapa de um risco clássico: o de ser apenas um galã “decorativo” em uma produção que exige entrega constante.
Claro que o protagonismo também traz outro efeito inevitável: a cobrança. Comparações com atores mais experientes começaram a aparecer, assim como críticas pontuais a algumas nuances de interpretação; algo natural para quem assume o centro de uma novela.
Mas o saldo, até aqui, joga a favor dele. Ronald Sotto atravessou a fase mais delicada da exposição: aquela em que o público decide se o ator é só imagem ou se tem consistência para sustentar uma história inteira. E, ao que tudo indica, passou nesse primeiro grande teste.
Existe um padrão conhecido na televisão: o ator que entra pela estética e precisa provar rapidamente que merece ficar pela atuação. Muitos param no meio do caminho. Outros conseguem virar o jogo. Ronald Sotto, neste momento de “A Nobreza do Amor”, parece ter entendido exatamente esse mecanismo e está usando isso a seu favor. Porque o público até se encanta com o rosto, mas só permanece quando encontra verdade em cena.
E isso, definitivamente, não se sustenta só com beleza.


