A próxima novela das nove da Globo nem estreou e já está provocando comparações curiosas nos bastidores; e também entre quem acompanha de perto as tendências da dramaturgia. “Quem Ama Cuida”, de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, tem estreia marcada para 18 de maio, mas sua sinopse já acendeu um alerta de déjà vu para quem assistiu à série tailandesa “Chefe da Casa”.
As duas histórias partem de um ponto semelhante: mulheres de origem simples que entram no universo de uma família rica e poderosa e acabam no centro de uma disputa por dinheiro, poder e sobrevivência.
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Na novela, Adriana (Letícia Colin) é uma fisioterapeuta que perde tudo após uma enchente devastadora em São Paulo. Fragilizada, ela se aproxima de um empresário milionário e solitário, Arthur Brandão (Antonio Fagundes), com quem acaba se casando. O conto de fadas, no entanto, dura pouco: o magnata é assassinado na noite de núpcias, e Adriana se torna a principal suspeita do crime, sendo presa injustamente.
Já em “Chefe da Casa”, a protagonista Kaimook ((Narilya Gulmongkolpech) também muda de vida ao se casar com um empresário bilionário — no caso, um magnata do setor de diamantes — que morre misteriosamente após as núpcias. A diferença é que, em vez de ser derrubada logo no início, ela passa a enfrentar uma guerra silenciosa dentro da própria família do marido, marcada por disputas internas, traições e jogos de interesse.
Apesar das diferenças no desenvolvimento, os paralelos são evidentes.
Nas duas tramas, o casamento funciona como porta de entrada para um universo onde ninguém é confiável. As protagonistas são vistas inicialmente como intrusas, enfrentam rejeição dos herdeiros e precisam aprender rapidamente a jogar o jogo do poder. E, mais importante: ambas evoluem ao longo da história, deixando de ser vítimas para assumir posições estratégicas.
Mas é na forma como essas trajetórias se desenrolam que cada obra segue um caminho próprio.
Enquanto “Chefe da Casa” aposta em uma ascensão gradual — com Kaimook ganhando espaço, descobrindo segredos e se consolidando como líder dentro do império da família —, “Quem Ama Cuida” mergulha no melodrama clássico de Walcyr Carrasco. Aqui, a protagonista é derrubada ao extremo antes de reagir: acusada de assassinato, presa e afastada de tudo, Adriana só retorna anos depois, mais forte, para buscar justiça e desmascarar quem realmente matou o marido.
Outro ponto de convergência está no ambiente: famílias ricas desestruturadas, onde o dinheiro não garante estabilidade. Em ambos os casos, herdeiros brigam entre si, alianças são frágeis e segredos vêm à tona, colocando em risco não só a fortuna, mas também o legado construído.
A diferença central está no tom.
A série internacional se ancora em uma narrativa mais estratégica, quase empresarial, focada em disputas corporativas e jogos de poder. Já a novela da Globo promete seguir a cartilha do folhetim, misturando suspense, romance e emoção, com direito a triângulo amoroso, injustiça, redenção e reviravoltas típicas do horário nobre.
Coincidência, inspiração ou apenas um caso de histórias que bebem de uma mesma fonte? Nos bastidores, ninguém confirma oficialmente qualquer relação direta entre as obras. Mas, em tempos de globalização de conteúdo, as semelhanças dificilmente passam despercebidas.


