Rede elétrica sobrecarregada faz Acre e outros estados limitarem novas conexões de energia solar
O rápido crescimento da geração de energia solar em casas, comércios e propriedades rurais já começa a causar impactos na rede elétrica em estados das regiões Norte e Centro-Oeste. No Acre, em Mato Grosso e em Rondônia, novas conexões de sistemas fotovoltaicos enfrentam restrições devido à capacidade limitada das redes de distribuição.
De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o avanço acelerado da micro e minigeração distribuída — modelo que inclui painéis solares instalados em telhados — tem provocado sobrecarga, principalmente em horários de menor consumo.
Nesses períodos, como por volta do meio-dia, quando a produção solar atinge o pico, milhares de consumidores injetam energia na rede ao mesmo tempo. Esse excesso pode gerar instabilidade no sistema e até risco de interrupções no fornecimento.
O problema foi identificado inicialmente em Mato Grosso, onde já há restrições para novas ligações. No entanto, os efeitos também atingem o Acre e Rondônia, que compartilham parte da mesma infraestrutura elétrica. Técnicos do setor alertam que o Mato Grosso do Sul pode enfrentar situação semelhante em breve.
Segundo especialistas, a rede elétrica dessas regiões não foi projetada para receber grandes volumes de energia descentralizada. Diante disso, distribuidoras têm limitado novos pedidos de conexão até que haja ampliação da infraestrutura.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também orientou as distribuidoras a revisarem sistemas já instalados, para identificar casos de ampliação sem autorização. Há registros de unidades gerando acima do permitido, o que contribui para o desequilíbrio da rede.
O crescimento da energia solar no Brasil ajuda a explicar o cenário. Em 2025, o país ultrapassou a marca de 60 gigawatts de potência instalada, e a fonte já representa mais de 23% da matriz elétrica nacional, ficando atrás apenas das hidrelétricas.