Estão abertas as inscrições para o edital E-commerce.BR 2026, iniciativa da Agência
Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com o Ministério do
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que vai destinar R$ 3,9 milhões ao
desenvolvimento de soluções para ampliar a presença de micro, pequenas e médias
empresas e microempreendedores individuais (MEIs) no comércio eletrônico nas regiões
Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A Região Norte terá papel central no programa. Conforme previsto no edital, quatro dos oito
projetos selecionados na primeira fase serão obrigatoriamente da região, como estratégia
para ampliar a participação local no comércio eletrônico e enfrentar gargalos estruturais,
especialmente nas áreas de logística, infraestrutura e conectividade.
Em 2024, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 225 bilhões, crescimento de 14,6%
em relação ao ano anterior. Apesar do avanço do setor, a distribuição regional das vendas
ainda é fortemente concentrada.
A Região Norte responde por apenas 0,6% das vendas on-line do país, o menor percentual
entre todas as regiões brasileiras, segundo dados do Observatório do Comércio Eletrônico
do MDIC. O levantamento mostra que o Sudeste lidera com 77,2% das vendas, seguido pelo
Sul (14,1%), Nordeste (5,5%), Centro-Oeste (2,5%) e, por último, o Norte.
“O comércio eletrônico é uma porta de entrada para que pequenos negócios ampliem
mercados, reduzam custos e operem de forma contínua, com acesso a dados estratégicos
sobre seus clientes. Nosso objetivo é garantir que empresas dessas regiões participem de
forma mais ativa desse mercado que só cresce no país”, afirma Adryelle Pedrosa, gerente de
Transformação Digital da ABDI.
Inclusão de microempreendedores individuais (MEIs)
Pela primeira vez, o edital passa a contemplar os microempreendedores individuais (MEIs)
entre os públicos beneficiados. Atualmente, o Brasil possui mais de 12 milhões de MEIs ativos,
que representam mais da metade das empresas do país. A ampliação do escopo do edital
busca apoiar esse público no acesso ao comércio eletrônico, fortalecendo sua capacidade de
vender on-line, ampliar mercados e utilizar ferramentas digitais de forma estratégica para
geração de renda e sustentabilidade dos negócios.
“Além de fortalecer micro, pequenas e médias empresas, estruturamos o edital para também
atender os MEIs, que têm um papel fundamental na geração de renda no país e precisam de
apoio para ampliar sua inserção no comércio eletrônico”, reforça Adryelle Pedrosa.
Redes de inovação
O edital E-commerce.BR 2026 tem como um de seus principais diferenciais o estímulo à
formação de redes de inovação. As propostas devem ser apresentadas por consórcios com,
no mínimo, três instituições sem fins lucrativos, como universidades, associações, órgãos
públicos e instituições de ciência, tecnologia e inovação (ICTs), além de incluir startups como
parceiras tecnológicas.
As soluções propostas podem envolver tecnologias, metodologias ou serviços, desde que
enfrentem desafios concretos do comércio eletrônico, como logística, acesso a marketplaces,
meios de pagamento, marketing digital, análise de dados e capacitação empresarial.
A seleção será realizada em três etapas. Inicialmente, 16 projetos serão escolhidos e passarão
por um processo de aprimoramento metodológico com apoio técnico da ABDI. Em seguida,
oito iniciativas avançarão para a fase piloto, com execução de até seis meses e atendimento
mínimo de 60 empresas. Nessa etapa, os aportes do edital variam entre R$ 345 mil e R$ 380
mil, conforme a classificação dos projetos. Ao final, duas iniciativas seguirão para a etapa de
escala, com aporte de R$ 500 mil cada para ampliar o atendimento a pelo menos 120
empresas.
Para o MDIC, o programa integra uma agenda estratégica de transformação produtiva. “O
programa está diretamente alinhado à Missão 4 da Nova Indústria Brasil, que trata da
digitalização do setor produtivo. Estamos falando de uma agenda estruturante, que conecta
comércio, serviços e indústria à economia de dados, à inteligência artificial e às novas
tecnologias. Acredito que o comércio eletrônico é um dos principais vetores para elevar a
produtividade das empresas brasileiras e reduzir desigualdades porque amplia o acesso a
mercados e estimula a transformação digital das empresas”, afirma Luis Felipe Giesteira,
secretário-adjunto de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços.
As inscrições seguem abertas até 5 de maio, na página oficial do E-commerce.BR 2026


