Após quatro dias acima da cota de alerta, o Rio Acre apresentou o primeiro sinal de vazante em Rio Branco nesta quinta-feira (2). De acordo com a Defesa Civil Municipal, o nível marcou 13,70 metros às 9h, permanecendo ainda 20 centímetros acima do limite de alerta, estabelecido em 13,50 metros.
O manancial havia ultrapassado essa marca na última segunda-feira (30), quando atingiu 13,60 metros pela manhã. Desde então, o nível seguiu em elevação, com variações ao longo dos dias, influenciado principalmente pelo volume de chuvas na região.
Ainda na segunda-feira, o rio continuou subindo e chegou a 14,01 metros às 18h, ultrapassando a cota de transbordamento, fixada em 14 metros. Foi a terceira vez em 2026 que o Rio Acre atingiu esse patamar.
Já na terça-feira (31), o nível voltou a ficar abaixo da cota de transbordo em menos de 24 horas, registrando 13,90 metros à meia-noite. Ao meio-dia, o índice havia recuado para 13,84 metros, indicando redução gradual.
Na quarta-feira (1º), o cenário foi de estabilidade, com pequenas oscilações ao longo do dia, variando entre 13,84 e 13,86 metros, conforme monitoramento da Defesa Civil.
Apesar das elevações recentes, o órgão informou que não houve necessidade de retirada de famílias até o momento. Ainda assim, estruturas seguem preparadas para eventual atendimento, incluindo escolas e espaços públicos destinados ao acolhimento de desabrigados.
O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que áreas de risco já foram mapeadas após a subida do rio. “Estamos preparando as escolas Anice Dib Jatene, Alvaro Rocha, Maria Lucia Marin e mais um ginásio para poder acolher situações de vítimas desabrigadas pela inundação do Rio Acre”, afirmou.
Segundo ele, há uma margem de segurança antes da retirada de moradores. “Também estamos fazendo o monitoramento a cada uma hora relacionado à pluviometria e nível do Rio Acre, não apenas em Rio Branco, mas em toda a sua extensão, verificando as possibilidades de velocidade de queda e de aumento em todos os municípios”, destacou o coordenador.
Entre os bairros sob atenção estão Ayrton Sena, Base, Seis de Agosto, Cadeia Velha, Baixada da Habitasa, Aeroporto Velho, Taquari, Cidade Nova, Quinze e Triângulo.
A variação do nível do rio está diretamente ligada ao volume de chuvas registrado nos últimos dias. Entre sexta-feira (27) e sábado (28), choveu cerca de 50 milímetros na capital. Já na terça-feira (31), o acumulado foi de apenas 0,20 milímetro, enquanto na quarta-feira (1º) chegou a 20,40 milímetros. Nesta quinta-feira, até o período da manhã, o índice era de 1,40 milímetro, contribuindo para a redução do nível.
A média histórica de chuva para março era de 276 milímetros, mas o volume registrado até quarta-feira já alcançava 434 milímetros, acima do esperado para o período.
Historicamente, o Rio Acre já apresentou três transbordamentos neste ano. O primeiro ocorreu em 27 de dezembro, quando atingiu 14,03 metros. O segundo foi registrado em 16 de janeiro, com 14,06 metros, e o terceiro em 29 de janeiro.
Durante o período de cheia em janeiro, o nível chegou a 15,44 metros, atingindo mais de 12 mil pessoas direta e indiretamente. Após dias de recuo, o rio voltou a subir no fim do mês, impulsionado pelas chuvas nas regiões de cabeceira.
Em fevereiro, após semanas acima da cota de atenção, o nível começou a cair, permitindo o retorno de famílias que estavam abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana. Na ocasião, 39 famílias, totalizando 115 pessoas e 26 animais, estavam no local.


