O Rio Juruá voltou a ultrapassar a cota de transbordo neste domingo (26) em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Esta é a quinta vez em apenas quatro meses que o manancial sai do leito normal. Pela manhã, o nível chegou a 13,10 metros — 10 centímetros acima da cota de transbordamento, que é de 13 metros.
O último episódio havia sido registrado no dia 30 de março, quando o rio atingiu 13,31 metros e afetou bairros da cidade e comunidades rurais. Já o pico mais recente da cheia ocorreu em 3 de abril, com 14,10 metros, impactando mais de 28 mil pessoas e mais de 7 mil famílias.
Segundo a Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, neste momento a situação está sendo apenas monitorada. Ainda não houve necessidade de retirada de moradores ou acionamento de apoio emergencial. No entanto, caso o nível continue subindo, o Plano de Contingência poderá ser colocado em prática.
A nova elevação ocorre após um período de vazante que havia permitido o retorno de famílias às suas casas nas últimas semanas. Historicamente, as retiradas começam quando o rio atinge entre 13,50 e 13,60 metros.
Além de Cruzeiro do Sul, o transbordamento também atinge Marechal Thaumaturgo. No município, a subida foi tão intensa que chegou a encobrir a régua de medição, dificultando o acompanhamento do nível do rio. Outros mananciais da região, como os rios Amônia, Tejo e Bajé, também transbordaram.
A prefeitura informou que equipes estão mobilizadas para atender as famílias atingidas. Apesar de alguns pontos já apresentarem vazante, bairros como Serraria e União ainda preocupam.

Diante da situação das cheias, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios: Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro. A medida já foi reconhecida pelo governo federal.
Somente neste ano, o município de Cruzeiro do Sul já enfrentou diversas enchentes. Em janeiro, cerca de 1,6 mil famílias foram afetadas. No fim do mesmo mês e início de fevereiro, novos transbordamentos voltaram a atingir a cidade, impactando milhares de moradores.
A sequência de cheias tem sido provocada por fortes chuvas e vem afetando tanto a zona urbana quanto as comunidades rurais da região.


