Três municípios do Acre aparecem entre os dez que mais desmataram na Amazônia no período entre agosto de 2025 e março de 2026. De acordo com dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados nesta semana, Feijó, Tarauacá e Rio Branco somaram juntos 101,84 quilômetros quadrados de áreas desmatadas.
Apesar disso, o estado registrou queda no índice geral. No total, foram 193 km² de desmatamento, o que representa uma redução de 32% em comparação com o período anterior. Ainda assim, o Acre foi o estado com maior número de municípios presentes na lista dos dez mais afetados.
O levantamento considera o desmatamento como a remoção total da vegetação, geralmente ligada à abertura de áreas para pecuária, agricultura ou ocupação irregular. Já a degradação florestal se refere a danos parciais, causados, por exemplo, por queimadas ou exploração de madeira.
Os dados fazem parte do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon, que utiliza tecnologia capaz de identificar áreas degradadas a partir de 1 hectare, com maior precisão em relação a outros sistemas.
No ranking geral da Amazônia, o município de Caracaraí (RR) lidera, com 84,09 km² desmatados. Em seguida aparecem Feijó (AC), com 43,49 km²; Rorainópolis (RR), com 42,38 km²; e Colniza (MT), com 38,52 km². Tarauacá (AC) ocupa a sexta posição, com 32,28 km², e Rio Branco (AC) aparece em oitavo, com 26,07 km².
Mesmo com a redução no total, o estudo chama atenção para o avanço do desmatamento em áreas protegidas. Quatro unidades de conservação no Acre estão entre as que concentram maior percentual de destruição na Amazônia: as reservas extrativistas Chico Mendes e Alto Juruá, além das florestas estaduais do Rio Gregório e do Mogno. Juntas, essas áreas representam 24,35% do desmatamento registrado nessas unidades.
Cenário na Amazônia
Entre os estados, Pará, Mato Grosso e Roraima lideram o desmatamento no período analisado. O Pará registrou 425 km² de áreas desmatadas, seguido por Mato Grosso, com 270 km². Já Roraima foi o único a apresentar aumento, com crescimento de 21%.
A degradação florestal também apresentou queda significativa. Em março de 2026, foram registrados 11 km² de áreas degradadas, uma redução de 95% em relação ao mesmo mês do ano anterior — o menor índice para o período desde 2014.
Apesar dos números mais baixos, especialistas alertam que os dados devem ser analisados com cautela, já que a redução ocorre após um período considerado crítico para a floresta amazônica.


