O WhatsApp deve passar por uma mudança significativa ao adotar nomes de usuário (usernames) como alternativa ao número de telefone. A novidade, desenvolvida pela Meta, promete reforçar a privacidade dos usuários, mas também deve impactar diretamente a forma como empresas utilizam a plataforma.
A expectativa é que o novo sistema seja consolidado até junho de 2026, permitindo que perfis sejam identificados sem a exposição do telefone pessoal. A medida busca reduzir riscos de golpes e spam, ao mesmo tempo em que altera a lógica atual de identificação dentro do aplicativo.
Segundo o especialista Guilherme Rocha, CEO da HelenaCRM, a mudança vai além de uma simples atualização. “Antes, o número de telefone era a principal referência para identificar o cliente e organizar sistemas de atendimento e CRM. Com a nova lógica, as empresas passam a lidar com novos identificadores em vez do telefone como base principal, o que exige adaptação dos sistemas e reforça a importância da qualificação do cliente na operação”, explica.
O projeto, que começou a ganhar forma em 2023, já está em fase avançada. Antes da liberação completa, os usuários poderão reservar identificadores únicos, seguindo critérios definidos pela plataforma, como limite de 3 a 30 caracteres e uso restrito a letras, números, pontos e underlines. Também haverá restrições para evitar fraudes, como proibição de formatos que imitem endereços de sites.
No Brasil, onde o WhatsApp é amplamente utilizado para vendas e atendimento, a mudança representa um desafio estratégico. Empresas terão que investir em infraestrutura tecnológica e adaptar sistemas de CRM e integrações para lidar com os novos identificadores.
Apesar do ganho em segurança, especialistas alertam para possíveis impactos operacionais. A substituição do número de telefone como principal referência pode dificultar a organização de dados e exigir maior suporte técnico para manter a eficiência no atendimento.
Além disso, a nova estrutura deve afetar a forma como empresas analisam o comportamento dos clientes. “Esse modelo reduz a exposição de dados sensíveis porque o telefone deixa de circular como chave principal de identificação nos sistemas de atendimento”, ressalta Rocha.
Dados recentes reforçam a importância da mudança. Segundo o relatório Data Breach Report 2025, da Privacy Rights Clearinghouse, mais de 4 mil incidentes de vazamento de dados afetaram ao menos 375 milhões de pessoas no último ano, enquanto o número de contas comprometidas ultrapassou 425 milhões.
Embora a funcionalidade ainda não tenha um cronograma final totalmente definido, a Meta indica cautela na implementação, priorizando a estabilidade do sistema. A expectativa é que a transição aconteça de forma gradual, exigindo adaptação tanto de usuários quanto de empresas.
No cenário brasileiro, a mudança tende a transformar não apenas a tecnologia, mas também a gestão do relacionamento com clientes. “Em um cenário em que o WhatsApp é um dos principais canais de relacionamento com clientes no Brasil, essa alteração deixa de ser apenas técnica e passa a impactar diretamente a operação, a experiência e os resultados das empresas”, conclui o especialista.


