Um vídeo que mostra um apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro simulando beber detergente da marca Ypê viralizou nas redes sociais nos últimos dias. Nas imagens, o homem aparece segurando um frasco do produto, faz um gesto obsceno e direciona ofensas a petistas.
A gravação começou a circular em meio à mobilização de apoiadores bolsonaristas em defesa da marca, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar o recolhimento de lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes com numeração final 1.
A medida foi tomada depois que inspeções sanitárias identificaram falhas no controle de qualidade da fabricante Química Amparo, responsável pela marca Ypê. Segundo a Anvisa, os problemas encontrados indicam risco de contaminação microbiológica, incluindo a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em alguns lotes.
Mesmo com a recomendação da agência para que os consumidores suspendam o uso dos produtos afetados, vídeos de apoiadores da marca usando detergentes da Ypê passaram a se espalhar nas redes sociais. Em algumas publicações, pessoas aparecem lavando louça diante das câmeras e ironizando os alertas sanitários.
A mobilização também contou com manifestações públicas de figuras conhecidas e aliados do ex-presidente. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou uma publicação em apoio à empresa, enquanto o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, divulgou vídeos incentivando consumidores a apoiarem a marca.
https://x.com/Metropoles/status/2053249778947960860?s=20
Nas redes sociais, apoiadores de Bolsonaro passaram a afirmar, sem apresentar provas, que a decisão da Anvisa teria motivação política. A narrativa ganhou força após usuários relembrarem doações feitas por integrantes da família Beira, ligada à empresa, para a campanha presidencial de Bolsonaro em 2022.
A Anvisa reforçou que a recomendação continua sendo a suspensão do uso dos produtos incluídos na medida sanitária. O Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo também informou que o risco sanitário segue em avaliação.
Especialistas alertam que a bactéria Pseudomonas aeruginosa pode representar maior perigo para idosos, bebês, pacientes imunossuprimidos, transplantados, pessoas em tratamento contra o câncer e indivíduos com feridas ou queimaduras.
A orientação dos órgãos sanitários é para que consumidores verifiquem os lotes dos produtos, interrompam o uso dos itens afetados e procurem os canais de atendimento da empresa para informações sobre recolhimento e troca.


