Contas sob suspeita levam MP a pedir intervenção no Corinthians por “indícios de fraude”
O Ministério Público de São Paulo solicitou à Justiça uma intervenção no Corinthians após contestar a aprovação das contas referentes a 2025. O pedido foi apresentado pelo promotor Cássio Roberto Conserino, que sustenta a existência de irregularidades no processo e levanta indícios de gestão temerária na condução financeira do clube.
No documento encaminhado, o promotor aponta que a validação do balanço ocorreu sem aprofundamento adequado nas ressalvas feitas por auditoria independente. “A aprovação com ‘ressalva’ vira vício quando encobre grave irregularidade e existem indícios de fraude, maquiagem contábil e gestão temerária no relatório da auditoria independente”, diz o texto.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Camisa do Corinthians amarelaReprodução/Instagram: @corinthians Reprodução/corinthians Camisa Corinthians no gramado da Arena BarueriReprodução/Instagram: @corinthians
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A manifestação também destaca questionamentos sobre a condução da reunião que aprovou as contas. De acordo com o Ministério Público, houve irregularidade na participação do então presidente do Conselho Fiscal, Haroldo José Dantas da Silva, que estaria afastado por conflito de interesses.
“Não podendo, obviamente, participar do ato e, mesmo assim, compareceu à reunião, presidiu-a e se absteve de votar no momento oportuno; mas assinou a ata juntamente com os demais integrantes, Cláudio Luiz Senise e Paulo Schimidt Pimentel, gerando, por conseguinte, a nulidade do presente ato administrativo”, registrou o promotor.
Ainda conforme a promotoria, os órgãos internos de controle do clube não teriam exercido plenamente suas funções de fiscalização. O documento afirma que houve falhas estruturais nesse processo e descreve o cenário institucional como comprometido.
“Iniludivelmente, estamos assistindo a uma ineficácia sistêmica e institucionalizada dos órgãos de controle do Sport Club Corinthians Paulista que demanda urgente intervenção judicial. Houve uma violação direta da governança exigida pela Lei Geral do Esporte. Enfim, um cenário administrativo caótico e que piora em progressão geométrica”, aponta o documento.
O pedido de intervenção judicial está fundamentado em quatro pontos principais: vícios na aprovação das contas, ineficiência dos mecanismos internos de controle, indícios de gestão temerária e possível descumprimento da legislação esportiva.
As contas de 2025 haviam sido aprovadas pelo Conselho Deliberativo do clube no dia 27 de abril, com 106 votos favoráveis e 68 contrários. O balanço indicou déficit líquido de R$ 143,4 milhões, com receita operacional líquida de R$ 810 milhões, frente a despesas de R$ 885 milhões.