Governo federal reconhece emergência após derramamento de óleo no Rio Tarauacá
O derramamento de óleo no Rio Tarauacá levou o governo federal a reconhecer situação de emergência no município acreano nesta terça-feira (5). A medida foi publicada no Diário Oficial da União após o naufrágio de uma balsa carregada com óleo diesel.
O reconhecimento atende ao decreto assinado pela Prefeitura de Tarauacá no início do mês e permite que o município solicite recursos federais para ações emergenciais e assistência à população afetada.
Segundo o decreto municipal, entre 50 e 15 mil litros de óleo diesel podem ter sido despejados no rio após o acidente ocorrido em 24 de abril. O combustível teria descido pelo curso do rio até alcançar o município de Tarauacá.
Com a medida, a prefeitura poderá solicitar ajuda humanitária, compra de cestas básicas, água mineral, refeições para trabalhadores e voluntários, além de apoio para recuperação das áreas atingidas.
O caso ganhou repercussão após moradores registrarem imagens das manchas de óleo no rio. “Estamos muito tristes, porque o óleo está poluindo a água. É uma situação triste para as famílias que moram aqui”, relatou o indígena Dua Txana em vídeo divulgado nas redes sociais.
O decreto municipal classificou o episódio como desastre ambiental, apontando riscos à saúde pública, à fauna aquática e às populações ribeirinhas que dependem do rio para consumo de água e alimentação.
A Transportadora RI Ltda., responsável pela carga, foi multada em R$ 3 milhões pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac). O órgão classificou o caso como poluição hídrica com danos ambientais e impactos diretos às comunidades locais.
Segundo o Imac, o derramamento provocou desabastecimento de água potável no município do Jordão e revelou ausência de medidas adequadas para resposta emergencial.
A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) informou que a embarcação já foi retirada do rio e que não há mais vazamento ativo. Equipes seguem monitorando o nível de contaminação da água.
O caso também é acompanhado pela Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), Secretaria dos Povos Indígenas (Sepi), Ministério Público do Acre (MP-AC) e pela Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental.
Especialistas alertam para os riscos ambientais do derramamento. A pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Sandra Hacon, afirmou que o óleo reduz o oxigênio da água e pode causar morte de animais e contaminação química.
“Esse armazenamento feito assim, em uma balsa, jamais deveria ser permitido. É uma irresponsabilidade com a população”, criticou.
Com informações do G1 Acre.