O avanço do desbarrancamento no Rio Juruá já começou a mudar a rotina de moradores em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Pelo menos duas famílias precisaram deixar suas casas após a erosão avançar sobre a margem do rio no bairro Miritizal, onde cinco residências foram identificadas pela Defesa Civil como áreas de risco.
Uma das casas começou a ser desmontada nesta quarta-feira (20) para evitar que a estrutura fosse levada pelo barranco. Outra residência também deve ser desmanchada nos próximos dias, conforme avaliação do órgão municipal.
Segundo o coordenador da Defesa Civil, Damasceno Júnior, uma das famílias foi incluída no programa de aluguel social, enquanto outra decidiu ficar temporariamente na casa de parentes.
Quem continua vivendo na área relata medo constante. Moradora do bairro, a diarista Maria Francisca Araújo Bezerra afirma que os desmoronamentos costumam ocorrer durante a madrugada e têm tirado o sono das famílias.
“Cada vez que o barranco cai é um susto. A gente fica sem dormir porque não sabe se vai amanhecer com a casa ainda de pé”, contou.
Mãe solo de quatro filhos, Maria diz que quer sair da região, mas enfrenta dificuldades por não ter outro lugar para morar. Ela relata ainda que, além do risco do barranco, o local sofre frequentemente com alagamentos.
De acordo com a Defesa Civil, o bairro Miritizal é o único ponto urbano de Cruzeiro do Sul afetado até agora pelo avanço da erosão. Neste mês, o Rio Juruá atingiu 14,19 metros, ultrapassando novamente a marca histórica registrada no município.
O coordenador do órgão alertou que o cenário pode piorar com o passar dos anos. Segundo ele, a área já apresenta mais de 20 metros de assoreamento, agravado pelas sucessivas cheias e vazantes do rio.
A Defesa Civil também informou que tenta reaproveitar parte da madeira das casas desmontadas para ajudar as famílias a reconstruírem as moradias em locais seguros.
Além de Cruzeiro do Sul, outro episódio semelhante foi registrado recentemente em Rodrigues Alves, onde cinco famílias também tiveram de deixar suas casas após desmoronamentos causados pela vazante do Rio Juruá.
Com informações do G1 Acre.


