Fim da escala 6×1 é “exigência do nosso tempo” e pode beneficiar mulheres, diz ministra
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o fim da escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador tem apenas um dia de folga por semana — é uma “exigência do nosso tempo” e pode ampliar o acesso das mulheres ao mercado de trabalho.
Em entrevista à Agência Brasil, a ministra destacou que a mudança na jornada permitiria melhores condições de vida, incluindo mais tempo para cuidados com a saúde, a família e outras atividades do dia a dia.
A proposta ganha força justamente no Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, e é uma das principais pautas de mobilizações pelo país.
O tema está em discussão no Congresso Nacional por meio do Projeto de Lei 1838/2026, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso remunerado sem redução salarial.
Além disso, outras propostas em tramitação também tratam do fim da escala 6×1, e uma comissão especial já foi criada na Câmara dos Deputados para analisar o tema.
Segundo Márcia Lopes, as mulheres são as mais afetadas pela atual jornada de trabalho. Isso porque, historicamente, acumulam múltiplas funções, conciliando o trabalho remunerado com tarefas domésticas e cuidados com a família.
“Mesmo após o expediente, muitas mulheres seguem em outras jornadas, o que aumenta a sobrecarga”, explicou.
A ministra defende que a mudança pode contribuir para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades, principalmente para mulheres negras e das periferias.
Dados recentes apontam que mulheres ainda recebem, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado. Para cada R$ 1.000 pagos a um homem, uma mulher recebe cerca de R$ 787.
A legislação atual já prevê igualdade salarial para funções equivalentes, mas especialistas apontam que ainda há desafios na prática.
Para o governo, o fim da escala 6×1 pode trazer benefícios como melhora na qualidade de vida, redução de faltas no trabalho e até impactos positivos na economia, com mais tempo livre para consumo e atividades sociais.
Por outro lado, entidades empresariais alertam para possíveis impactos econômicos, como aumento de custos e pressão nos preços.
A ministra também afirmou que movimentos sociais, especialmente de mulheres, já estão se mobilizando para pressionar o Congresso pela aprovação da medida.
Ela acredita que, apesar das divergências, há possibilidade de avanço no debate.
A discussão sobre a jornada de trabalho segue em pauta e deve ganhar ainda mais destaque nos próximos meses, especialmente diante das mobilizações e da pressão popular.