O senador Flávio Bolsonaro decidiu intensificar a defesa da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master após a divulgação de um áudio em que pede apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A gravação foi divulgada na quarta-feira (13) pelo portal The Intercept Brasil. No áudio, Flávio demonstra preocupação com atrasos em pagamentos relacionados ao filme “Dark Horse”, produção baseada na campanha presidencial de Bolsonaro em 2018.
Segundo o senador, os recursos seriam utilizados para cumprir compromissos financeiros assumidos com integrantes da produção, entre eles o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
Após a repercussão do caso, a equipe de pré-campanha de Flávio realizou uma reunião de emergência para discutir os impactos políticos da divulgação do áudio e definir uma estratégia de reação pública.
Participaram das conversas o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho e a advogada Maria Claudia Bucchianeri, integrante da equipe jurídica do parlamentar.
Nos bastidores, aliados avaliam que o episódio gerou desgaste porque Flávio vinha afirmando reservadamente que não possuía relação próxima com Daniel Vorcaro. A divulgação do áudio passou a ser vista como um elemento que dificulta esse discurso dentro da própria campanha presidencial.
Em nota divulgada após o caso, Flávio Bolsonaro afirmou que buscava apenas “patrocínio privado para um filme privado” e negou qualquer irregularidade envolvendo o banqueiro.
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, declarou o senador.
Na mesma manifestação, Flávio voltou a defender a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e tentou associar o caso ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ”, afirmou.
No campo governista, parlamentares aliados ao Palácio do Planalto passaram a explorar politicamente o episódio nas redes sociais e em discursos públicos. Nos bastidores, integrantes da base de Lula afirmam que o caso fortalece a estratégia de associar o bolsonarismo ao escândalo envolvendo o Banco Master.
Aliados do governo também defendem a criação de uma comissão parlamentar para investigar o caso, embora parte dos parlamentares reconheça dificuldade para avançar com a proposta no Congresso Nacional.


