Sete meses antes de ser encontrado morto em seu apartamento na Zona Leste de São Paulo, o fisiculturista Gabriel Ganley já havia comentado publicamente sobre os possíveis impactos do uso de anabolizantes na saúde. Em uma entrevista concedida ao podcast Flow, o influenciador afirmou ter consciência de que a escolha de abandonar o fisiculturismo “natural” poderia reduzir seu tempo de vida.
O atleta, de 22 anos, morreu de forma súbita, segundo informações registradas no atestado de óbito. O documento aponta cardiomiopatia hipertrófica como causa da morte, doença caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco, o que compromete o funcionamento do coração e dificulta a circulação sanguínea.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Gabriel Ganley tinha 22 anos de idadeReprodução: Instagram/@ganleygabriel Gabriel Ganley relatou ter sofrido confusão mental após uso de insulina semanas antes de morrerFoto: Reprodução Gabriel GanleyReprodução: Instagram/@ganleygabriel Gabriel Ganley faleceu neste sábado (23/5), aos 22 anosReprodução: Instagram/@ganleygabriel
Com mais de 2 milhões de seguidores, Gabriel Ganley era um dos nomes mais conhecidos no cenário de fisiculturismo nacional.Reprodução/@ @ganleygabriel Gabriel GanleyFoto: Reprodução/Instagram @ganleygabriel Gabriel GanleyFoto: Reprodução/Instagram @ganleygabriel Gabriel GanleyReprodução: Instagram/@ganleygabriel Gabriel GanleyReprodução: Instagram/@ganleygabriel Gabriel Ganley morreu neste sábado (23/5).Reprodução/@ganleygabriel
Fisiculturista Gabriel Ganley morre aos 22 anosInstagram @ganleygabriel
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Gabriel Ganley: entenda por que fisiculturistas usam insulina e os perigos da prática
A investigação segue em andamento. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso ainda depende de exames complementares realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) para esclarecer todos os detalhes da ocorrência. Até o momento, também não existe confirmação oficial de que eventuais substâncias encontradas fossem utilizadas por Gabriel.
Declarações sobre riscos do fisiculturismo
As falas do jovem ganharam repercussão após sua morte. Em participação no episódio “A nova era do fisiculturismo”, exibido em 27 de outubro de 2025 no podcast comandado por Igor Coelho, Gabriel falou abertamente sobre os efeitos do uso de hormônios sintéticos voltados à alta performance.
Na conversa, ele explicou que havia iniciado a nova fase da carreira poucos meses antes, em julho daquele ano, deixando de competir como atleta “natural” — expressão usada no meio esportivo para definir praticantes que não utilizam hormônios ou anabolizantes.
Ao comentar os impactos da prática, o influenciador afirmou que os maiores danos não estavam ligados à aparência física, mas sim aos riscos para órgãos internos:
“Acham que é só tomar [bomba], e não é. O maior efeito negativo é a longo prazo. É problema de coração, de fígado. O verdadeiro B.O. é você saber que está encurtando 10 anos da sua vida. Eu tenho essa consciência. Eu sei que eu quero seguir uma carreira que vai encurtar [a minha vida] em 10, 15 anos.”
A declaração voltou a circular nas redes sociais após a confirmação da morte do atleta, principalmente por citar diretamente problemas cardíacos e hepáticos como possíveis consequências da rotina adotada por competidores da modalidade.
Reação dos internautas
Trechos da entrevista passaram a ser compartilhados por usuários do X, antigo Twitter, além do Instagram e TikTok. Muitos seguidores lamentaram o caso e destacaram a coincidência entre o alerta feito pelo próprio Gabriel e a causa apontada no laudo inicial.
Desejo de formar uma família
Durante o bate-papo, Gabriel também revelou que pensou bastante antes de iniciar os ciclos hormonais. Segundo ele, o desejo de construir uma família pesou na decisão.
“Você tomar essa decisão com 22 anos é ‘embaçado’. Às vezes eu penso: eu tenho o sonho de ser pai, será que quando eu tiver meu filho e minha filha, vou ver menos 15 anos do meu filho crescer? Botei tudo num papel e falei: vou fazer. Mas foi uma reflexão muito profunda”, desabafou na ocasião.
O fisiculturista ainda comentou algumas mudanças físicas percebidas nos primeiros meses de utilização das substâncias. Entre elas, citou o surgimento de acne:
“Cabelo não caiu nada. Mas espinha… eu tinha a pele lisinha. Começou a crescer espinha. Vou começar a fazer as paradas de creminho. Antes eu cagava. Estou cuidando do corpo, tenho que cuidar da cara também”, relatou.
Cobrança após abandonar o fisiculturismo “natural”
Outro ponto abordado por Gabriel foi a pressão recebida nas redes sociais depois de assumir publicamente o uso de hormônios para evolução física. Segundo ele, o público passou a exigir transformações imediatas no corpo.
“Midiaticamente falando, fui para o final da fila. A pressão [da mídia] ficou maior. As pessoas dizem: ‘Agora você está tomando bomba, tá ligado? Tem que estar igual ao Ramon [Dino] semana que vem’. Isso tudo era um preço que eu já sabia que eu ia ter que pagar.”



