“Não falem em nosso nome”, afirma liderança indígena após visita de Nikolas ao Acre
Após a repercussão da visita do deputado federal Nikolas Ferreira ao Acre e de declarações envolvendo povos indígenas, o cacique Ninawá Huni Kuin publicou um posicionamento firme nas redes sociais defendendo o respeito aos territórios e à luta dos povos originários.
A manifestação ocorreu depois que Nikolas afirmou, durante passagem pelo estado, que indígenas também desejam “calcinha, batom e brinquedos”, declaração que gerou debates e críticas nas redes sociais.
Em resposta, Ninawá Huni Kuin afirmou que os povos indígenas não autorizam que políticos ou figuras públicas utilizem suas pautas como instrumento de engajamento ou palanque político.
“Não autorizamos que falem em nome dos povos indígenas”, declarou a liderança.
No pronunciamento, o cacique destacou que a luta indígena vai além de discursos políticos e envolve a defesa histórica dos territórios, da cultura e da sobrevivência dos povos originários.
“A luta dos povos originários não é cenário pra vídeo, engajamento ou palanque político”, afirmou.
Ninawá também criticou políticos que, segundo ele, visitam aldeias em períodos estratégicos, mas apoiam propostas consideradas prejudiciais aos direitos indígenas.
“Estamos em ano político, e muitos irão aparecer nas aldeias e nos territórios dizendo que apoiam os povos indígenas e defendem nossa luta. Mas, na prática, muitos desses políticos passaram o ano votando a favor de projetos de lei, PECs e medidas que ferem os direitos dos povos indígenas”, disse.
A liderança reforçou ainda que os povos indígenas resistem há mais de 500 anos em defesa de seus territórios, da ancestralidade e da preservação da Amazônia.
“Nossa luta não está à venda em troca de falsos discursos de desenvolvimento, que muitas vezes escondem interesses políticos e econômicos sobre nossas terras e riquezas”, acrescentou.
O posicionamento repercutiu entre apoiadores da causa indígena e ampliou o debate nas redes sociais sobre representatividade, demarcação de terras e direitos dos povos originários.