A visita da governadora Mailza Assis a Sena Madureira nesta terça-feira (19) carrega muito mais peso político do que institucional. Em um momento em que os bastidores da sucessão estadual já movimentam lideranças em todo o Acre, a situação da governadora dentro do terceiro maior colégio eleitoral do estado começa a provocar um questionamento inevitável: afinal, o que está acontecendo em Sena Madureira?
O cenário é, no mínimo, curioso.
Enquanto o senador Alan Rick aparece constantemente à frente nas pesquisas internas realizadas no município, o nome de Mailza segue distante, mesmo ocupando a máquina estadual, cumprindo compromissos administrativos e mantendo aliados históricos acomodados em espaços importantes do governo.
E aí surge a pergunta que começa a circular até mesmo entre integrantes do próprio grupo governista: onde está falhando a engrenagem política?
Porque, na prática, Sena Madureira sempre foi considerada uma cidade estratégica para qualquer projeto estadual. É um município com peso eleitoral, forte influência regional e um histórico de lideranças capazes de transferir votos. Ainda assim, os números mostram uma realidade desconfortável para o Palácio Rio Branco.
Se a governadora vem cumprindo acordos políticos, mantendo espaços, contemplando aliados e sustentando estruturas locais, por que isso ainda não se traduz em crescimento eleitoral?
A resposta talvez esteja justamente na ausência de uma defesa política verdadeira.
Existe hoje uma percepção crescente de que parte das lideranças que se apresentam como “fortes” politicamente em Sena Madureira parecem muito mais preocupadas em preservar espaços de poder do que em construir, de fato, o projeto político da governadora dentro do município. Nos bastidores, o comentário é de que muitos sentam à mesa do governo, ocupam cargos estratégicos, indicam aliados, mas não colocam o bloco na rua quando o assunto é defender publicamente o nome de Mailza.
E política funciona exatamente assim: quem não ocupa espaço, perde espaço.
Enquanto isso, o senador Alan Rick cresce silenciosamente. Sem possuir a máquina estadual nas mãos, sem controlar estruturas administrativas locais e sem o peso institucional do governo, o parlamentar vem conseguindo algo que a base governista ainda não conseguiu entregar à governadora: conexão política e popular dentro do município.
O rompimento do prefeito Gerlen Diniz com o governo apenas agravou ainda mais essa situação. Ao embarcar de vez no projeto de Alan Rick, Gerlen entregou ao senador uma vitrine extremamente poderosa dentro de Sena Madureira.
E a reação do governo veio imediatamente.
A aproximação entre Mailza e o ex-prefeito Mazinho Serafim não é apenas simbólica. Ela representa uma tentativa clara de reorganizar forças políticas dentro do município diante da perda de um aliado estratégico. O problema é que essa movimentação também escancara outra realidade: a base tradicional da governadora em Sena aparentemente não conseguiu consolidar sua pré-candidatura junto à população.
E isso gera outro desconforto interno.
Como explicar que lideranças contempladas pelo governo estadual há tanto tempo ainda não tenham conseguido fazer o nome da governadora crescer de maneira consistente no município?
Será que essas lideranças estão realmente em campo?
Será que existe mobilização política genuína?
Ou será que parte desse grupo apenas administra espaços enquanto outros fazem política de verdade nas ruas, nos bairros e nas comunidades?
Essa discussão começa a ganhar força porque os números não mentem. E política vive de resultado.
Ao mesmo tempo, existe também outro grupo observando tudo isso em silêncio: lideranças menores, militantes históricos e apoiadores do governo que efetivamente defendem Mailza no dia a dia, mas que muitas vezes sequer participam das grandes articulações políticas ou das mesas de decisão. Para essas pessoas, o cenário atual gera frustração e uma sensação clara de injustiça política.
Afinal, quem realmente está defendendo o governo?
Quem está apenas usufruindo dele?
A visita desta terça-feira pode acabar sendo um divisor de águas justamente por isso. Mais do que inaugurações, reuniões ou agendas administrativas, o momento servirá para medir temperatura política, reorganizar alianças e, principalmente, entender quem realmente está disposto a vestir a camisa da pré-candidatura de Mailza em Sena Madureira.
Porque, no fim das contas, a grande verdade é simples: governo nenhum sobrevive apenas de cargos. Sem defesa política verdadeira, sem presença popular e sem militância ativa, a conta eleitoral inevitavelmente chega.
E os números de Sena Madureira parecem estar mostrando exatamente isso.


