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ENTRETENIMENTO

Peça “Quarto 2107” mergulha em máscaras sociais e desejo; escritor e atores comentam

Por Portal Leo Dias 19/05/2026 13:34
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A partir desta sexta-feira (22/5), o público poderá entrar no universo intenso e provocador de “Quarto 2107”, peça que estreia na capital paulista apostando em temas como desejo, identidade, sexualidade e as máscaras que as pessoas usam no cotidiano. Com Bruno Gadiol e Alexandre Acquiste em cena, o espetáculo promete conduzir o espectador por uma experiência íntima e profundamente humana.

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Escrita pelo jornalista e dramaturgo Arthur Pires, a montagem nasce justamente do mergulho nas contradições das relações humanas. Acompanha Mauricio, um empresário bem sucedido, casado e pai de família; e Rafa, um jovem e experiente garoto de programa. A vida de Mauricio é posta à prova quando ele decide alugar um quarto de hotel para vivenciar sua primeira experiência sexual com outro homem.

Veja as fotosAbrir em tela cheia “Quarto 2107” traz suspense e vulnerabilidade masculina aos palcos com Alexandre Acquiste e Bruno GadiolFoto: Sérgio Santoian Arthur PiresFoto: Sérgio Santoian Alexandre AcquisteFoto: Sérgio Santoian Bruno GadiolFoto: Sérgio Santoian “Quarto 2107” traz suspense e vulnerabilidade masculina aos palcos com Alexandre Acquiste e Bruno GadiolFoto: Sérgio Santoian

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Estreante no teatro, Arthur conta que a paixão por criar histórias o acompanha desde a infância. “Eu sempre fui muito apaixonado por histórias. Desde criança brincava de teatrinho, via muitos filmes, desenhos, lia gibis. Então, sempre pensei em escrever, o jornalismo me abraçou. Mas, o sonho da escrita fictícia nunca deixou de existir”, afirmou em entrevista ao portal LeoDias.

A transição entre o factual e a ficção, segundo o jornalista que também teve passagem pela LeoDias TV, abriu espaço para explorar assuntos que o jornalismo nem sempre permite diante da objetividade necessária para narrar um tema. “O fato é aquele e ponto final. Na ficção, essa regra não se aplica, e escrever é abrir um espaço para que o público olhe para o autor e para si”, explicou, ressaltando seu objetivo em levar o espectador a um “mergulho interno” sobre visões de mundo, com espaço aberto para diversas interpretações.

Essa liberdade aparece diretamente em “Quarto 2107”, que acompanha dois personagens atravessados por conflitos emocionais, desejos reprimidos e diferentes versões de si mesmos. Para Arthur, a peça fala sobre algo universal: as máscaras sociais. “Ninguém age da mesma forma no ambiente de trabalho, na reunião da família e no barzinho com os amigos. Mostramos o que queremos e com o recorte que desejamos. Então, os dois personagens da peça representam bem essas máscaras sociais, cada um à sua maneira”, completou ele.

Personagens com camadas
No palco, Alexandre Acquiste interpreta um homem marcado por contradições e uma vida dupla. O ator define o personagem como um dos trabalhos mais intensos de sua trajetória. “É muito diferente de mim. Sem dar spoiler, ele é um homem cheio de contradições, que vive uma vida dupla e tem um caráter, no mínimo, duvidoso. Justamente por isso, meu foco tem sido trazer o máximo de humanidade possível para esse personagem, mesmo que isso provoque desconforto”, contou.

Veterano nos palcos e no cinema, passando por peças como “O Timon de Atenas” e “Bicha Oca”, além de filmes como “Carandiru” e “Uma Advogada Brilhante”, Acquiste também destaca a potência emocional do texto, que, segundo ele, mistura tensão, desejo e vulnerabilidade de forma elegante. “De cara, o que me chamou mais a atenção foi a dramaturgia. Ela tem uma força incrível; trata de questões urgentes, principalmente no campo da sexualidade, de um jeito simples, mas, ao mesmo tempo, denso… Enfim, é uma peça que te emociona, te provoca, te deixa tenso e ainda instiga o desejo e a libido. É daquelas obras que atravessam a gente”, resumiu.

Já Bruno Gadiol encara em “Quarto 2107” um dos maiores desafios de sua carreira. Em cena praticamente o tempo todo ao lado de Alexandre, o ator mergulha em um personagem dividido entre diferentes identidades: Rafa, o nome usado como garoto de programa, e Mário, sua essência mais fragilizada e humana. “O Rafa traz um corpo de quem domina o ambiente, uma linguagem mais marrenta. O Mário você já nota uma fragilidade, uma dor, um sentimento, alguma coisa diferente. Nos ensaios da peça começou a ficar mais claro, em que momento era quem. No meu texto eu anotei momentos onde eu colocava isso. ‘Aqui é o Mário falando’, ‘Isso aqui é o Rafa falando’”, explicou Bruno, que mapeou cuidadosamente as nuances do personagem durante os ensaios.

Tirar da “zona de conforto”
Bruno admite que o espetáculo tira completamente sua zona de conforto; tanto pela carga dramática quanto pela entrega emocional exigida em cena. “Tem essa questão da nudez em cena, enfim, tudo isso que me deixa tenso! Pensar que minha família, do meu namorado, vão estar lá assistindo, isso pega um pouco. Mas é entrar no personagem e esquecer de quem eu sou por alguns momentos ali e fazer o que eu tenho que fazer”, revelou.

Assumidamente interessado em projetos mais ousados desde que decidiu se assumir publicamente homossexual após interpretar Guto na temporada de 2017 de “Malhação”, Bruno vê na peça um passo importante de amadurecimento artístico. “Acho que todo artista que começa cedo tem vontade de fazer algo mais disruptivo, para talvez desvincular de uma imagem que já não condiz mais com quem ele é naquele momento. Acho que fazer um projeto desse e com tanta responsabilidade, cheio de camadas, é algo que me deixa muito feliz”, afirmou.

Já Alexandre também acredita que o teatro continua sendo um espaço de transformação constante. “O teatro sempre me desafia, e sempre vai me desafiar, porque é um lugar do encontro com o outro e comigo mesmo. E isso, por si só, já é profundamente desafiador, além de ser apaixonante e prazeroso”. Segundo o ator, seu intuito é sempre buscar personagens complexos e contraditórios.

A conexão entre os protagonistas
A relação entre os dois protagonistas também se tornou um dos pilares da montagem. Alexandre define Bruno como um ator “potente, generoso e disponível”, enquanto Bruno destaca que a conexão surgiu naturalmente nos ensaios. “Alê é uma pessoa tão maravilhosa! Eu acho que foi muito fácil construir essa conexão porque é um cara muito doce, muito gentil. A energia bateu”, comentou.

Segundo Alexandre, a diferença de gerações entre os dois atores ainda fortalece a narrativa da peça. “Para esse trabalho ele traz frescor e eu trago maturidade. Daí desse encontro tem surgido uma dinâmica viva, às vezes até engraçada, quando algumas questões geracionais se confrontam”, analisou.

Expansão para novos formatos
Além do espetáculo, Arthur Pires adianta que “Quarto 2107” também ganhará uma expansão em formato de novela vertical, acompanhando a tendência dos conteúdos rápidos para plataformas digitais.

Apaixonado por novelas, filmes de terror e novos formatos, o autor já pensa nos próximos passos da carreira. “Adoraria escrever algo que misture esses gêneros e formatos. Pretendo continuar escrevendo, mas não somente para teatro”, afirmou.

Com diferentes camadas de leitura, “Quarto 2107” aposta justamente na subjetividade para tocar públicos distintos. Talvez, seja exatamente aí que mora a força da peça: em fazer o espectador sair do teatro pensando não apenas nos personagens em cena, mas também nas próprias máscaras que escolhe vestir todos os dias.

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