Conhecido em Sena Madureira por sua atuação no rádio e na educação, o professor, radialista e paciente de hemodiálise Rivaldo Severo, mais conhecido como “Professor Boim”, fez um apelo emocionado pedindo ajuda para os pacientes renais do município. Durante um pronunciamento, ele pediu atenção das autoridades de saúde do Acre e reforçou a reivindicação para que o tratamento passe a ser realizado na própria cidade.
Segundo Boim, os pacientes enfrentam uma rotina desgastante de deslocamento até Rio Branco para realizar a hemodiálise, tratamento necessário para pessoas diagnosticadas com insuficiência renal crônica, condição em que os rins deixam de exercer corretamente a função de filtrar o sangue.
“Somos pacientes da doença chamada insuficiência renal crônica. Isso significa dizer que os nossos rins não têm mais as funções que verdadeiramente servem para filtrar o nosso sangue”, relatou.
Atualmente, conforme o radialista, 14 pacientes de Sena Madureira precisam fazer viagens constantes até a capital para garantir o tratamento. Segundo ele, são 288 viagens realizadas ao longo do ano entre ida e volta.
Boim, que também faz hemodiálise, chamou atenção para o desgaste físico e emocional enfrentado pelos pacientes, que passam longas horas fora de casa nos dias de tratamento.
“E deixando passar todos os dias quando saímos de casa para fazer a hemodiálise, a gente passa doze horas. Quando a gente se despede dos filhos, da esposa ou de quem fica em casa, sai com esse pensamento: será que hoje já chegou a minha vez também?”, desabafou.
Outro ponto destacado por ele foi o número de mortes entre pacientes que realizavam o mesmo percurso para tratamento. Segundo o relato, desde 30 de abril de 2024 até agora, 15 pessoas que faziam as viagens para hemodiálise morreram.
“Hoje participamos do sepultamento de mais um dos nossos amigos. De 30 de abril de 2024 até hoje já foram 15”, afirmou.
Durante o apelo, Boim também questionou a falta de um espaço para realização da hemodiálise em Sena Madureira. Segundo ele, o município, considerado o terceiro maior colégio eleitoral do Acre, ainda não possui estrutura para atender os pacientes renais.
“O hospital de Sena Madureira vai fazer oito anos que começaram. Aí está esse labirinto, mas antes tivesse feito uma reforma no hospital antigo. Aí está esse elefante branco que não tem uma sala disponível para que a gente possa fazer essa hemodiálise que nós tanto precisamos aqui na nossa cidade”, disse.
Além da implantação da hemodiálise no município, os pacientes também reivindicam melhorias no Tratamento Fora do Domicílio (TFD). Segundo Boim, muitos enfrentam dificuldades durante os longos deslocamentos.
“O que é TFD? Tratamento Fora do Domicílio. Até hoje não deram atenção para a gente. Se eu faço hemodiálise em Rio Branco e moro em Sena Madureira, onde será o meu domicílio? Claro que é em Sena Madureira. Então é aqui que nós queremos fazer nossa hemodiálise”, afirmou.
O radialista reconheceu o apoio prestado pela Prefeitura de Sena Madureira, afirmando que o município auxilia os pacientes com ônibus, enfermeiro e apoio durante as viagens. No entanto, cobrou maior atenção do Estado diante da situação.
“Se não fosse a Prefeitura de Sena Madureira nos ajudar com ônibus, com enfermeiro, com uma garrafinha de água, nós estávamos ferrados”, relatou.
Segundo Boim, o grupo também decidiu buscar apoio jurídico para reivindicar providências junto ao Ministério Público. De acordo com ele, o advogado Rainan Maia presta assessoria ao grupo na tentativa de garantir melhorias para os pacientes.
Ao final do pronunciamento, Professor Boim pediu união, solidariedade e apoio à causa dos pacientes renais do município.
“Nos ajude, porque quem não vive para servir, não serve para viver”, concluiu.



