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Professora do Acre supera lúpus, adota dois filhos autistas e transforma amor em força para recomeçar

Por Cris Menezes 10/05/2026 09:23
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“Adotar é um gesto de amor que não vem do útero, vem do coração e mudou completamente a minha vida.”

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A frase resume a trajetória da professora Maria Lúcia Souza Saraiva, de 47 anos, moradora de Tarauacá, que encontrou na adoção a realização do sonho da maternidade após enfrentar uma longa batalha contra o lúpus e três abortos espontâneos.

Mãe solo de dois meninos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Maria Lúcia divide a rotina entre os cuidados com os filhos e o trabalho na pequena fábrica de salgados criada dentro de casa para sustentar a família.

A história começou a mudar após o agravamento do lúpus, doença que trouxe limitações físicas severas e a obrigou a deixar a sala de aula. Em determinado período, ela chegou a utilizar cadeira de rodas e precisou abrir mão do sonho de gerar um filho biologicamente.

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“Eu nunca desisti de ser mãe. Só entendi que ser mãe vai muito além de gerar”, afirmou.

A primeira adoção aconteceu em 2014, quando Francisco Wriel ainda era bebê. Pouco tempo depois, Maria Lúcia começou a perceber sinais diferentes no desenvolvimento da criança. Com experiência em educação especial, buscou acompanhamento médico e recebeu o diagnóstico de autismo.

Anos depois, em 2017, decidiu ampliar a família e adotou Adriel Ravi, que também está dentro do espectro autista e enfrenta outras condições de saúde, incluindo distúrbios do sono.

Desde o divórcio, Maria Lúcia assumiu sozinha toda a responsabilidade pelos filhos. A rotina começa ainda de madrugada, por volta das 4h, quando inicia a produção de salgados para as encomendas do dia.

Depois, organiza a casa, acompanha os filhos na escola, terapias e demais compromissos, utilizando uma motocicleta como principal meio de transporte.

“Eu sou mãe, pai, motorista, terapeuta. Sou tudo e preciso dar conta”, relata.

Mesmo diante da correria, ela afirma que não trocaria a vida ao lado dos filhos por nada.

Wriel, o filho mais velho, é mais reservado, gosta de silêncio e possui hiperfoco em animais e natureza. Já Ravi é mais agitado, gosta de som alto e multidões, mas enfrenta dificuldades para dormir devido à ausência natural de produção de melatonina.

“A parte mais difícil é lidar com o distúrbio do sono dele. O autismo eu já aprendi a compreender”, contou.

Sem conseguir trabalhar fora devido à necessidade de acompanhar os filhos, Maria Lúcia encontrou no empreendedorismo uma alternativa para manter a família.

Durante a pandemia da Covid-19, começou vendendo churrasquinho por delivery. Com o desgaste físico, decidiu mudar de ramo e criou a “Oficina do Sabor”, pequena fábrica artesanal de salgados instalada na cozinha de casa.

Hoje, o negócio se tornou a principal fonte de renda da família e atende encomendas para festas e eventos em Tarauacá.

“O mínimo que vendemos por dia é entre 600 e 700 salgados”, afirma.

Com a ajuda do irmão, ela conseguiu adquirir uma máquina industrial modeladora, equipamento que automatizou parte da produção e melhorou as condições de trabalho.

Apesar das conquistas, a trajetória foi marcada por dificuldades. Em 2018, buscando tratamento especializado para os filhos em Rio Branco, Maria Lúcia chegou a dormir com as crianças em um espaço improvisado dentro de um restaurante onde trabalhava.

“Foi a única vez que pensei em desistir”, relembra.

Ela também enfrentou obstáculos para conseguir benefícios sociais para os filhos, incluindo problemas burocráticos relacionados à documentação das crianças.

Atualmente, o maior objetivo da professora é concluir a reforma da casa onde mora com os filhos. O imóvel ainda está inacabado e traz preocupação constante, principalmente porque Ravi tem o hábito de fugir de casa.

Nos fundos da residência existe um igarapé, o que aumenta o medo de acidentes.

“Meu maior sonho hoje é terminar minha casa para dar mais segurança para eles”, disse.

Mesmo enfrentando desafios diários, Maria Lúcia destaca que nunca esteve totalmente sozinha. Familiares ajudam nos cuidados e participam da rotina dos meninos.

No Dia das Mães, ela costuma ensinar aos filhos valores ligados à solidariedade e empatia, levando-os para ações de doação e visitas a abrigos.

“Meus filhos me ensinaram o verdadeiro amor. Hoje eu sou feliz”, declarou emocionada.

COM INFORMAÇÃO G1 AC

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