17 de junho de 2026

A farra dos vistos! Influenciadores e esposas de jogadores entram na mira dos EUA

A farra dos vistos! Influenciadores e esposas de jogadores entram na mira dos EUA
A farra dos vistos! Influenciadores e esposas de jogadores entram na mira dos EUA

O luxo e o glamour que cercam a Copa do Mundo nos Estados Unidos escondem uma dor de cabeça imigratória que acaba de estourar nos bastidores. O portal LeoDias recebeu informações exclusivas de que equipes inteiras de profissionais, incluindo maquiadores, fotógrafos, cabeleireiros e assessores, levadas por esposas de jogadores de futebol, estão atuando no país sem os vistos adequados para trabalho.

O burburinho já toma conta dos corredores do evento: parte dessas pessoas estaria sob a mira das autoridades norte-americanas, correndo o sério risco de ter o documento cassado a qualquer momento ou assim que pisarem de volta no Brasil.

- Publicidade -

Veja as fotosAbrir em tela cheia Influenciadores e mulheres de jogadores correm risco nos EUACrédito: Imagem gerada por IA Embaixada dos EUACrédito: Divulgação Embaixada dos EUA está de olho em influenciadores e esposas de jogadoresCrédito: Imagem gerada por IA

Voltar
Próximo

Leia Também

Copa do Mundo
D10S: Messi se transforma no maior artilheiro da história das Copas com hat-trick na estreia

Copa do Mundo
França vence Senegal com brilho de Mbappé, que se aproxima de marca histórica na Copa

Copa do Mundo
Gramado de estádio da final da Copa do Mundo volta a apresentar problemas

Copa do Mundo
Cafu aposta em Endrick como jogador decisivo do Brasil na Copa do Mundo

A reportagem procurou o consulado dos Estados Unidos para entender como está sendo feito o controle durante o Mundial, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Para destrinchar essa crise e entender as consequências de burlar a imigração, o portal conversou com especialistas que revelaram os erros que podem custar o direito de entrar nos EUA.

A ilusão do visto de turista e a regra da territorialidade
O grande equívoco da maioria desses profissionais é viajar utilizando o tradicional visto de visitante (B1/B2). Destinado apenas a turismo ou para reuniões de negócios rápidas, o documento proíbe expressamente a contratação ou a execução de atividades laborais no país. Muitos acreditam que, pelo fato de a empresa pagadora ser brasileira e o dinheiro cair em uma conta no Brasil, não há infração legal.

A advogada especialista em direito imigratório Mayte Medicci, fundadora da Medicci Cidadania, é taxativa ao derrubar esse mito. “A lei norte-americana não olha de onde nasce o dinheiro, e sim onde o trabalho acontece. Gravar em Miami é trabalhar em Miami, mesmo que o contrato e o pagamento estejam inteiramente vinculados ao Brasil”, explicou.

Rodrigo Rodrigues, especialista da Jetvistos, reforçou que a fronteira entre o turista e o profissional em serviço é o verdadeiro foco da alfândega. “Milhões publicam fotos na Disney ou em um jogo da Copa. O que chama a atenção é quando a viagem deixa de ser pessoal. A pergunta que eles fazem na chegada não é quantos seguidores a pessoa possui, mas qual o verdadeiro motivo daquela viagem. Se existe uma marca patrocinando ou um contrato prevendo entregas, a análise muda completamente”, detalhou.

“Permuta” e ingressos VIPs configuram pagamento
O cerco se fecha ainda mais quando entram em cena as famosas permutas. Receber cortesias para acessar estádios ou regalias em hotéis não passa despercebido pelos agentes de imigração.

“Muita gente pensa que remuneração é apenas dinheiro. Se uma marca oferece hotel, camarote VIP ou alimentação em troca de publicações, existe uma troca de benefícios por divulgação”, alertou Rodrigo Rodrigues. Para o Governo dos EUA, essa transação é interpretada como remuneração, configurando exercício ilegal da profissão para quem porta apenas o visto de turismo.

A temida “salinha” e o olho nos celulares
Caso o agente do órgão de proteção de fronteiras (CBP) desconfie da versão contada pelo passageiro no guichê, a ida para a inspeção secundária, a famosa “salinha”, é certa. E lá dentro, o conceito de privacidade muda de figura. Mayte Medicci explicou que estrangeiros não possuem as mesmas garantias constitucionais dos cidadãos americanos no momento do desembarque.

“Eles podem, sim, solicitar senhas de acesso para vasculhar arquivos inseridos no próprio aparelho. O que eles querem ver é se há alguma simulação do pedido de visto”, apontou a advogada, ressaltando que uma simples recusa em entregar o celular pode resultar em deportação imediata.

A profissional ainda lembrou que a fiscalização monitora as redes e citou um caso recente de um gigante do TikTok, com mais de 160 milhões de seguidores, que foi convidado a se retirar do país após suas publicações entrarem na mira do Governo.

Qual é o visto certo, afinal?
Para o estafe de influenciadoras e esposas de jogadores, a documentação correta exige bastante tempo e planejamento, o que muitas vezes é ignorado na correria dos grandes eventos. Profissionais de apoio ligados à indústria do entretenimento, como maquiadores, técnicos e cabeleireiros de celebridades, precisam de vistos específicos, como P1 ou P3, que englobam a cadeia de produção que atua no exterior.

Já para os criadores de conteúdo, o caminho costuma envolver o visto I (imprensa) ou o cobiçado O-1 (habilidades extraordinárias). “Não existe um visto específico para influenciador. Um erro muito comum é acreditar que a quantidade de seguidores define automaticamente qual visto usar”, pontuou Rodrigo Rodrigues.

O especialista também desmistificou ferramentas como o Fifa Pass, lançado para a Copa do Mundo. Segundo ele, o benefício acelera a marcação da entrevista consular para quem tem ingressos oficiais, mas não garante, de forma alguma, a aprovação do visto.

O pesadelo, por fim, não termina ao conseguir sair ileso do aeroporto. A quebra dessas regras deixa rastros no histórico imigratório. O cancelamento da permissão de entrada pode ser decretado antes mesmo do embarque, durante a permanência no exterior ou até anos depois, quando a pessoa tentar solicitar um novo visto, transformando a experiência do Mundial em um bloqueio de longo prazo.