O governo do Acre decretou situação de emergência em saúde pública após o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no estado. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) nesta quarta-feira (3) e tem validade de 90 dias.

Segundo dados da Vigilância Epidemiológica, entre janeiro e 23 de maio deste ano foram registradas 1.303 notificações de SRAG no Acre. O número representa um aumento superior a 31% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 989 casos.
Os registros atuais também superam os números de 2024, que somaram 1.029 notificações no mesmo intervalo analisado.
De acordo com o levantamento, há uma maior circulação de vírus respiratórios neste período do ano, incluindo influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus, adenovírus e metapneumovírus.

Na publicação oficial, a governadora Mailza Assis destacou que a decisão foi motivada pela superlotação das unidades de saúde provocada pelo aumento dos casos de gripe e outras doenças respiratórias.
“Fica estabelecido o atendimento prioritário às demandas da Secretaria de Estado de Saúde pelos órgãos e entidades da administração pública estadual, e autorizada adoção de medidas administrativas urgentes que se mostrarem necessárias ao restabelecimento da situação de normalidade”, destaca trecho do decreto.
Alerta epidemiológico reforça medidas de prevenção
Na última segunda-feira (1º), a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) emitiu um alerta epidemiológico para reforçar a importância da prevenção, da vacinação e da identificação precoce dos sintomas respiratórios, especialmente entre crianças pequenas, idosos e pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Entre as recomendações estão a atualização da carteira de vacinação, higienização frequente das mãos, uso de máscaras por pessoas com sintomas gripais e evitar levar crianças doentes para escolas e creches.
A Sesacre também orienta a população a manter ambientes ventilados e procurar atendimento médico diante de sinais de agravamento do quadro clínico.
Crianças e idosos estão entre os grupos mais afetados
Segundo a Secretaria de Saúde, crianças menores de dois anos permanecem entre os grupos que exigem maior atenção devido aos casos de bronquiolite associados ao vírus sincicial respiratório (VSR).
Somente neste ano, foram registradas mais de 350 notificações nessa faixa etária.
Já entre crianças de até 9 anos e idosos com mais de 60 anos, houve aumento nos casos de pneumonia e complicações respiratórias que podem exigir internação hospitalar.
Os dados utilizados pela vigilância são provenientes das quatro Unidades Sentinelas para Síndrome Gripal do estado: a UPA do Segundo Distrito, em Rio Branco; o Hospital Raimundo Chaar, em Brasiléia; a UPA Jacques Pereira, em Cruzeiro do Sul; e a UBS Maria de Fátima, em Plácido de Castro, além das unidades destinadas às internações por SRAG.
Imunização continua disponível
A Sesacre informou que a rede pública continua ofertando imunização contra o vírus sincicial respiratório para gestantes e aplicação de imunoglobulina destinada a bebês prematuros nascidos a partir de abril de 2026.
A vacinação contra a gripe também permanece disponível para toda a população acreana.
Especialistas alertam que o VSR é um dos principais responsáveis pelos casos graves de síndrome respiratória em recém-nascidos e crianças pequenas, podendo provocar bronquiolite e exigir internação.
Ocupação de UTIs preocupa autoridades
O aumento dos casos respiratórios já provoca impacto direto na rede hospitalar de alta complexidade do estado.
Dados do serviço de regulação de leitos apontam índices elevados de ocupação nas unidades pediátricas:
- UTI Pediátrica 1: 91,9% de ocupação;
- UTI Pediátrica 2: 89,2% de ocupação;
- Enfermarias infantis: 87,7% de ocupação.
A pressão sobre o sistema de saúde foi um dos fatores considerados pelo governo para a decretação da situação de emergência.
Estado registra 37 mortes por SRAG
Até o final de maio, o Acre contabilizou 37 mortes relacionadas à Síndrome Respiratória Aguda Grave.
Segundo a Vigilância Epidemiológica, 14 das vítimas eram crianças. Deste total, sete tinham menos de dois anos de idade, com bronquiolite e pneumonia entre as principais causas associadas aos óbitos.
O levantamento também aponta que 11 idosos perderam a vida em decorrência de complicações respiratórias relacionadas à SRAG.
Diferença entre resfriado, gripe e bronquiolite
Com o aumento dos casos, autoridades de saúde reforçam a importância de identificar corretamente os sintomas das doenças respiratórias mais comuns.
O resfriado costuma apresentar sintomas leves, como coriza, espirros, congestão nasal e tosse leve.
A gripe, causada pelo vírus Influenza, geralmente surge de forma repentina, provocando febre alta, dores no corpo, cansaço intenso, dor de garganta e tosse persistente.
Já a bronquiolite afeta principalmente bebês e crianças menores de dois anos. O quadro pode começar como um resfriado comum, mas evoluir para chiado no peito, dificuldade respiratória e dificuldade para se alimentar.
Quando procurar atendimento médico
A orientação das autoridades é que crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas recebam atenção especial diante de sintomas respiratórios.
No caso de bebês e crianças com suspeita de bronquiolite, a recomendação é buscar atendimento o mais rápido possível em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou serviço de urgência.
Também é indicado procurar assistência médica imediata quando houver falta de ar, respiração acelerada, afundamento das costelas ao respirar, lábios arroxeados, sonolência excessiva, dificuldade para se alimentar ou febre persistente.



