29 de junho de 2026

Acreana relata rotina após terremotos no Japão: “Ficamos apreensivos a cada novo alerta”

Acreana relata rotina após terremotos no Japão: “Ficamos apreensivos a cada novo alerta”
Sandréia Nishizawa é natural de Senador Guiomard e mora no Japão desde 2021 junto ao marido e o filho — Foto: Arquivo pessoal

A acreana relata rotina após terremotos no Japão e descreve como os frequentes alertas sísmicos e a ameaça de tufões passaram a fazer parte do cotidiano da família. Morando há quase cinco anos na cidade de Kawasaki, na província de Kanagawa, Sandréia Nishizawa afirma que cada novo aviso gera preocupação, mesmo quando os tremores não atingem diretamente a região onde vive.

Natural de Senador Guiomard, no Acre, Sandréia se mudou para o Japão em outubro de 2021 ao lado do marido, Toshimi Nishizawa, e do filho, Arthur Ishiro, de 13 anos, em busca de novas oportunidades.

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Apesar de Kawasaki não ter registrado grandes danos com os terremotos dos últimos dias, ela conta que viver em um dos países com maior atividade sísmica do mundo exige preparação constante.

“Só simplesmente dá o terremoto, mas não chegou a ter danos, graças a Deus. Mesmo assim é bem assustador. E neste fim de semana ainda estava previsto um tufão passando por Kawasaki”, relata.

Medo acompanha cada novo alerta

Segundo Sandréia, é impossível não sentir apreensão sempre que há notícias sobre novos tremores.

“Se eu falar que não fico tensa, vou estar mentindo. Fico sim, com bastante medo, porque a gente sabe que as placas tectônicas estão se movendo. Toda vez que tem algum terremoto ou aviso de tufão, ficamos bem apreensivos.”

Na fábrica onde trabalha, os funcionários receberam orientações preventivas antes mesmo da chegada do tufão.

“Nosso líder fez uma reunião para avisar que era para termos cuidado, evitar andar de bicicleta e permanecer em casa sempre que possível.”

Aplicativos avisam segundos antes dos tremores

Um dos principais aliados da população japonesa é o sistema de alertas instalado nos celulares. Segundo Sandréia, o aviso sonoro costuma tocar segundos antes do início dos tremores.

Além disso, veículos circulam pelas ruas orientando os moradores a seguirem para pontos oficiais de evacuação.

Como mora no sétimo andar de um edifício, ela diz que a sensação durante os abalos é ainda mais intensa.

“O aplicativo toca, começa o alarme e logo depois o prédio começa a balançar. Como moro no sétimo andar, a sensação é muito forte e dá bastante medo.”

Preparação começa desde a infância

A acreana explica que a cultura de prevenção faz parte da rotina japonesa desde cedo.

Nas escolas, crianças aprendem como agir durante terremotos e participam frequentemente de simulações de evacuação. O filho dela também recebe esse treinamento.

Já nas empresas, exercícios periódicos reforçam os protocolos de emergência para funcionários.

Outro hábito incentivado pelo governo é manter uma mochila de emergência, conhecida como Bousai Ryukku, contendo água, alimentos, lanternas, documentos e itens de higiene.

“O governo orienta que todos tenham esse kit preparado. Se acontecer um terremoto forte, basta pegar a mochila e seguir para o ponto de evacuação.”

Construções são preparadas para suportar abalos

Segundo Sandréia, muitos prédios japoneses são projetados justamente para resistir aos frequentes terremotos.

“Alguns prédios aqui já são feitos para isso. Eles balançam bastante, mas foram construídos para não desabar.”

Japão registra centenas de terremotos todos os anos

O Japão concentra cerca de 20% dos terremotos de magnitude igual ou superior a 6 registrados no planeta.

Somente nos últimos dias, um terremoto de magnitude 6 atingiu a costa da ilha de Honshu, enquanto outro forte abalo foi registrado na província de Aomori. No mesmo período, dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 também atingiram a Venezuela.