4 de junho de 2026

Acusado de invadir prédio e tentar estuprar moradora implorou para não ser preso: “não sou monstro”

Acusado de invadir prédio e tentar estuprar moradora implorou para não ser preso: “não sou monstro”
Acusado de invadir prédio e tentar estuprar moradora implorou para não ser preso: “não sou monstro”

O homem acusado de invadir o apartamento de uma nutricionista em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, e tentar cometer violência sexual contra ela tentou convencer a Justiça a não mantê-lo preso durante a audiência de custódia realizada após sua prisão em flagrante. Ao longo da sessão, ele fez diversos pedidos ao juiz para responder ao processo em liberdade.

Apesar das alegações apresentadas por Wellington de Oliveira Santos, de 36 anos, a Justiça decidiu converter a prisão em flagrante em preventiva. O crime ocorreu na manhã do último dia 23 de maio. Segundo os registros do caso, o acusado já possui condenação anterior por estupro.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Wellington de Oliveira Santos foi preso em flagrante por tentativa de estupro.Foto: Reprodução Hematomas na vítima após lutar por 13 minutos para se defender do acusadoFoto: Reprodução Audiência de custódia do suspeito

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Durante o depoimento, Wellington afirmou que havia ingerido grande quantidade de álcool e disse não se lembrar claramente do que aconteceu. Também alegou ser responsável pelos cuidados do pai, de 74 anos, e de um filho de 11 anos. Ainda assim, o juiz entendeu que a manutenção da prisão era necessária, destacando a importância da medida para garantir a segurança da vítima.

A vítima, a nutricionista Jéssica Santos, de 35 anos, relatou, em entrevista ao G1, ter lutado com o invasor sozinha dentro do imóvel por cerca de 13 minutos. Ela contou que conseguiu impedir o estupro graças aos conhecimentos adquiridos em aulas de muay thai, boxe, jiu-jítsu e defesa pessoal.

Imagens do circuito interno do condomínio mostram que o suspeito entrou no prédio aproveitando a saída de um morador, atravessou a recepção sem ser questionado e chegou até o 18º andar, onde mora a nutricionista.

“Eu imploro, não sou esse monstro”
Na audiência, Wellington declarou trabalhar como ajudante geral, confirmou ter um filho e admitiu antecedentes criminais relacionados a roubo.

“Queria dizer que eu estava simplesmente embriagado, ‘embriagadíssimo’. Não sei se era um prédio, um motel, não me recordo muito. Mas eu não tinha intenção nenhuma, não tinha ideia nenhuma na mente”.

O acusado também questionou as falhas na segurança do condomínio.

“Como que uma pessoa consegue entrar num estabelecimento sem ninguém te brecar, sem ninguém falar nada com você? De resto, eu simplesmente não fiz nada, simplesmente não aconteceu nada, não fiz nada”.

Em outro momento, afirmou não ter consciência de como chegou ao apartamento.

“Eu subi, eu não sei nem andar de elevador, eu não sei nem como eu cheguei lá. Eu não sabia se tinha um homem, se tinha uma mulher, eu não sabia. Podia ter os dois lá”.

Após ouvir acusação e defesa, o magistrado informou que manteria a prisão.

“Ouvi atentamente o que o senhor falou, o que a acusação e a defesa falaram, mas especialmente para a preservação da vítima, eu vou manter o senhor preso”.

A decisão levou Wellington a fazer uma série de pedidos emocionados para tentar reverter a medida.

“Não faz isso comigo, não, doutor. Cuido do meu pai de 74 anos. Não sou toda essa periculosidade. Simplesmente eu estava alcoolizado. Te imploro, cuido do meu pai e do meu filho. Não sou esse monstro todo. Te imploro, doutor, que o senhor possa me ajudar, me dar uma confiança. Eu imploro a você, doutor. Eu imploro que o senhor me dê um voto de confiança”.

Diante da insistência, o juiz solicitou que uma funcionária entrasse em contato com a delegacia para providenciar a retirada do acusado da sala virtual da audiência.

Suspeito nega tentativa de estupro
Na audiência de custódia realizada no dia seguinte ao crime, Wellington declarou que havia passado a noite bebendo e decidiu entrar em um prédio para se abrigar da chuva durante o trajeto para casa.

Ele afirmou que não foi abordado por nenhum funcionário do condomínio, entrou em um apartamento cuja porta estava destrancada e negou qualquer intenção de estuprar ou agredir a moradora.

Segundo sua versão, ele não conhecia a vítima.

Histórico criminal
Wellington estava em livramento condicional quando foi preso em flagrante. Em 2017, ele recebeu condenação de 11 anos e quatro meses por estupro, roubo com uso de arma, restrição da liberdade da vítima, violação de domicílio e constrangimento ilegal, em um processo relacionado a um crime ocorrido em 2015.

Posteriormente, conquistou progressão para o regime semiaberto e passou ao livramento condicional em julho de 2021.

Além disso, há registro de um caso de violência doméstica em 2025. Na ocasião, a Justiça concedeu medidas protetivas após denúncias envolvendo agressões, invasão de domicílio e danos patrimoniais no contexto da Lei Maria da Penha.