A decisão que colocou um administrador na direção do Samu de Cruzeiro do Sul passou a ser alvo de debate entre profissionais da saúde após publicação no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (16).
Matheus de Castro Cameli foi exonerado do cargo de gerente administrativo e nomeado para assumir a gerência-geral do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no município.
A mudança provocou questionamentos por parte de integrantes da categoria médica. Um profissional que atua no Samu de Cruzeiro do Sul e preferiu não se identificar afirmou que o comando do serviço deveria ser exercido por um médico, devido à natureza das atividades desenvolvidas pela instituição.
“O Samu trata de atendimento médico a pessoas em situação de urgência. Tudo deve ser tratado entre médicos. Esse cargo deve ser ocupado por um médico”, declarou.
Em resposta às críticas, Matheus Cameli ressaltou que a função de gerente-geral não possui exigência legal de formação em medicina e destacou que a estrutura administrativa do Samu conta com cargos específicos destinados à coordenação técnica médica.
Segundo ele, existe uma divisão entre a gestão administrativa e a direção técnica da unidade.
“Existe gerência-geral e existe o diretor técnico, que é responsável pela equipe médica. Temos o diretor técnico nomeado também, que responde pelo corpo clínico. A coordenação técnica médica exige formação em medicina, mas a direção-geral e a gestão administrativa podem ser ocupadas por profissionais da área de administração”, explicou.
Graduado em Administração pela Unopar desde 2018, Matheus atua no Samu desde fevereiro de 2023. Ele também possui pós-graduação e atualmente cursa especialização em Gestão Hospitalar.
De acordo com o novo gerente-geral, a função envolve atribuições relacionadas à logística, planejamento, recursos humanos, finanças e organização dos serviços prestados pela unidade.
A nomeação reacendeu discussões sobre os modelos de gestão adotados em serviços de urgência e emergência, especialmente no que se refere à divisão entre funções administrativas e técnicas dentro das estruturas de saúde pública.
Até o momento, a Secretaria de Estado de Saúde não se pronunciou sobre os questionamentos levantados por profissionais da área médica.



