A poucos dias da estreia da Argentina na Copa do Mundo de 2026, uma das principais dúvidas envolvendo a seleção campeã mundial segue sem resposta definitiva. Mesmo após a convocação de Lionel Messi e a confirmação de que o atacante não sofreu lesão após deixar uma partida do Inter Miami com dores musculares, o técnico Lionel Scaloni evitou revelar como pretende administrar a utilização do craque durante o torneio.
Em entrevista ao jornal Olé, o treinador argentino afirmou que não existe um plano pré-estabelecido para controlar a minutagem ou a carga de trabalho do camisa 10. Segundo Scaloni, as decisões serão tomadas de acordo com a evolução física e os sinais apresentados pelo jogador ao longo da competição.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Lionel MessiReprodução/x: @Argentina Lionel Messi em cobrança de faltaReprodução/x: @Argentina Lionel Messi com a camisa da seleção ArgentinaReprodução/Instagram: @TeamMessi
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“Ele (adversário) não sabe como está. Só de estar em campo com Messi já é incrível para nós. Mas também tem a questão do estado de espírito dele, como você o vê. Aliás, acho que contra a Colômbia, aqui, quando estávamos com dez jogadores, ele me fez sinal para sair e saiu. Então, tudo se resume a momentos, decisões que você toma e vê como as coisas se desenrolam dia após dia”, afirmou.
O treinador explicou que prefere analisar cada situação individualmente, sem criar uma estratégia fixa antes do início da competição. “Não adianta dizer agora que temos um plano se ele está em ótima fase, que plano é esse? O plano que eu tinha não existe mais: trata-se de observá-lo e ver como ele está, quais são os seus sentimentos, e então tomaremos decisões”, acrescentou.
Durante a entrevista, Scaloni também destacou a longevidade de Messi em alto nível. Aos 38 anos, o atacante disputará sua sexta Copa do Mundo e se tornará um dos recordistas de participações em Mundiais.
“Ele vai jogar enquanto quiser, porque todos nós sabemos do que ele é capaz, e não é nenhuma surpresa que esteja disputando sua sexta Copa do Mundo. Como poderia ser surpreendente? O que surpreende é que ele só tenha conquistado quatro títulos com a seleção. Ele ficou a um triz de ganhar mais duas Copas Américas e uma Copa do Mundo”, disse.
Ao abordar a relação de Messi com a seleção argentina, Scaloni relembrou um dos momentos mais marcantes da carreira recente do jogador: a final da Copa América de 2024. Na ocasião, o atacante deixou o gramado lesionado durante a decisão contra a Colômbia e se emocionou mesmo após a conquista do título.
“Ele queria jogar futebol, queria continuar jogando além da situação de uma final. Abandonar o campo é terrível, especialmente porque ele sempre foi muito gentil conosco”, recordou o treinador. Na sequência, Scaloni afirmou que a cena simboliza o comprometimento do camisa 10 com a equipe nacional.
“E você pensa: para ele sair, algo deve estar muito errado. De fato, depois daquela final, ele ficou fora de ação por um tempo que eu nem sei precisar. Isso dá uma ideia de como ele é. São exemplos que, para mim, devem ser lembrados para sempre. Quer dizer, você vê aquela imagem e pensa: ‘Por que você está chorando se ganhou uma Copa do Mundo? O que há de errado com você?’ Mas não é isso; é porque ele queria continuar jogando futebol, jogar com seus companheiros de equipe. Às vezes é difícil explicar com palavras; você simplesmente precisa ver as imagens”, completou.
Antes do Mundial, a Argentina ainda disputará dois amistosos preparatórios. A equipe enfrenta Honduras no próximo dia 6 e a Islândia no dia 9. Já na Copa do Mundo, os argentinos estreiam em 16 de junho contra a Argélia, em grupo que também conta com Áustria e Jordânia.
Enquanto a seleção finaliza sua preparação para defender o título conquistado em 2022, a principal certeza em Buenos Aires parece ser justamente a ausência de certezas sobre Messi. Para Scaloni, o caminho até o Mundial passa por observar o craque diariamente e deixar que o próprio futebol indique os próximos passos.



