Nesta segunda-feira (15/06), o Portal LeoDias revelou mais um escândalo de corrupção na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Já durante a Copa do Mundo de 2026, o presidente Samir Xaud se apropriou de recursos da entidade para bancar a estadia de mulheres próximas a ele nos Estados Unidos durante a estadia da Seleção no país durante o mundial. O caso, no entanto, não se trata de um episódio isolado dentro da CBF, conhecida ao longo da história por inúmeras acusações e denúncias de assédio e corrupção dentro de suas portas.
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Veja as fotosAbrir em tela cheia Samir Xaud em Nova Iorqueportal LeoDias João Havelange e Samir Xaud, ex-presidentes da CBF/ Reprodução Reprodução Reprodução Reprodução Reprodução
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A era Havelange: a institucionalização da corrupção
João Havelange começou sua trajetória no esporte ainda como atleta, sendo medalhista de bronze pelo Brasil nos jogos Pan-Americanos de 1955 no Polo Aquático. O poderoso dirigente não demorou muito para trocar os trajes de banho pelo terno logo após sua aposentadoria.
Em 1958, assumiu a presidência da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), responsável na época não só pelo futebol mas outras 23 modalidade. Durante sua presidência, o Brasil viveu o ápice no futebol sendo campeão da Copa do Mundo em 1958, 1962 e 1970.
O sucesso no Brasil fez Havelange catapultar sua popularidade e vencer a eleição para presidir a FIFA em 1974. Em seu mandato na entidade máxima do futebol, o brasileiro não só fez a FIFA ampliar seus ganhos mundialmente, mas também fez a entidade ser marcada por união com regimes autoritários e escândalos de corrupção.
Anos após deixar a entidade, ficou comprovado que Havelange recebia propinas da International Sport and Leisure (ISL), empresa suíça de marketing que manteve um contrato bilionário de exploração comercial exclusivo da FIFA durante décadas. Ao mesmo tempo que faturava milhões na FIFA, Havelange alçou seu genro, Ricardo Teixeira ao comando da CBF. Após deixar a FIFA, Havelange foi banido do futebol e morreu milionário aos 100 anos de idade em sua casa de luxo no Rio de Janeiro.
Era Ricardo Teixeira: de “pai para filho”
Logo após assumir a FIFA em 1974, Havelange indicou seu genro, Ricardo Teixeira, para a presidência da CBF. Conhecido por não entender quase nada de futebol, Teixeira manteve a influência política do padrinho político.
Teixeira, assim como Havelange, também recebeu propinas no escândalo da ISL, além de ser um dos acusados pelo escândalo do “Fifagate” de 2015 que levou a prisão de dezenas de dirigentes do futebol em uma investigação conduzida pelo FBI.
Assim como Havelange, Teixeira foi banido do futebol e raramente dá entrevistas e declarações sobre seu anos à frente da CBF.
Era José Maria Marín: a CBF contra parede
Logo após a saída de Teixeira da CBF em 2012, José Maria Marín assumiu o controle da entidade. Além de manter seu controle político e os esquemas de propina, foi na presidência de Marin que a CBF, talvez, esteve mais exposta.
Preso também no escândalo do “Fifagate” em 2015, Marin ficou sub custódia nos Estados Unidos durante 4 anos, sendo obrigado a pagar multas de mais de 5 milhões de dólares. Ficou compravado que o ex-dirigente recebeu propinas milionárias de contratos da Copa do Brasil, Libertadores e Brasileirão.
Em 2012, Marin chegou a “roubar” uma medalha da cerimônia de premiação da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Foi durante o seu mandato, em 2014, que a Seleção Brasileira passou pela maior humilhação de sua história ao perder para a Alemanha por 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo disputada no Brasil em 2014. Morreu em 2025 no hospital Sírio-libanês em São Paulo.
Era Marco Polo Del Nero: o presidente que não saía de casa
Eleito em 2015, pouco antes do escândalo do “Fifagate”, o mandato de Marco Polo Del Nero ficou praticamente inviabilizado. Sendo um dos indiciados, o ex-presidente da CBF evitava deixar o país com medo de ser preso durante os quase dois anos de mandato.
Na FIFA, recebeu suspensão vitalícia de seus direitos políticos e também foi obrigado a pagar uma multa de R$ 3,5 milhões por ter aceitado propinas, corrupção durante sua gestão, além de ter aceitado “presentes indevidos”.
Era Rogério Caboclo: o presidente que “mudaria tudo”, mas foi só mais um
Após conviver com uma sequência de presidentes presos por corrupção e banidos do futebol, a CBF elegeu Rogério Caboclo prometendo um “banho de loja”. O gestor prometia modernizar o futebol brasileiro e alavancar à Seleção Brasileira de volta ao estrelato.
No entanto, as promessas ficaram só nas palavras. Além de manter o Modus operandi já conhecido, Caboclo foi acusado em 2021 de assédio sexual contra uma secretária da entidade. Ainda naquele ano, ele acabou destituído do cargo.
Era Ednaldo Rodrigues: a CBF como palco de influências
Aproveitando a queda de Caboclo, Ednaldo Rodrigues ascendeu ao poder no final de 2021. Prometendo uma entidade mais diversificada, Rodrigues intensificou o mau uso de recursos da CBF com despesas pessoais, promoveu aumentos de salários significativos aos presidentes da CBF a fim de manter sua influência política. O Portal LeoDias foi responsável por denunciar boa parte das denúncias que fizeram Ednaldo a ser derrubado do cargo.
Além disso, Rodrigues transformou a sede da CBF em uma verdadeira fortaleza onde mantinha todos os funcionários sob forte observação com direito a câmeras de segurança no restaurante da CBF que imagens eram disponibilizadas em suas sala, além de diversas acusações de assédio moral por ex-funcionários.
Ednaldo também abriu as portas da CBF para o ministro do STF, Gilmar Mendes e o filho Fracisco Mendes, que a partir de um contrato firmado para adminstrar a CBF Academy, passaram a ter forte influência política na entidade.
Em 2023, chegou a ser destituído da CBF em uma decisão do TJ-RJ após uma disputa interna, mas voltou ao cargo no começo do ano seguinte, 2024, através de uma decisão do ministro Gilmar Mendes no STF.
Em 2025, no entanto, após um escândalo na falsificação de uma assinatura em um documento que garantiu sua reeleição na CBF, Ednaldo foi afastado de forma definitiva.
Era Samir Xaud: de desconhecido a homem mais poderoso do futebol
Após a queda de Ednaldo e uma série de incertezas, Samir Xaud apareceu como um verdadeiro “banho de loja”. Prometendo avançar assuntos como a implementação de novas tecnologias e profissionalização da arbitragem, criação da liga do campeonato brasileiro e na elaboração de um novo calendário, Xaud impressionou positivamente em seus primeiros meses no comando da CBF.
No entanto, o Portal LeoDias descobriu que o dirigente se aproveitou dos vultuosos cofres da CBF para assumir uma série de gastos pessoais. Xaud usou de recursos da entidade para bancar a estadia de amantes na disputa do Mundial de Clubes do Catar em 2025, quando o Flamengo chegou a final da competição.
Além disso, também aproveitou a estadia da Seleção Brasileira nos EUA, para utilizar os cofres da CBF para bancar a hospedagem de duas mulheres em hotéis de luxo em Nova Iorque.




