O clima da Copa do Mundo de 2026 já dita o ritmo econômico do comércio de Cobija, cidade boliviana que faz fronteira com o estado do Acre. Nesta quarta-feira (10), o termômetro das vendas na região de livre comércio apontou uma movimentação intensa de turistas brasileiros e moradores locais em busca de artigos oficiais e réplicas das seleções. O principal destaque de vendas continua sendo o uniforme da Seleção Brasileira, que lidera as intenções de compra às vésperas do próximo compromisso em campo, agendado para o sábado (13).
A preferência do consumidor local e dos sacoleiros acreanos recai esmagadoramente sobre o tradicional modelo amarelo (“amarelinha”), apontado pelos lojistas como o verdadeiro motor do faturamento neste período sazonal. Contudo, há espaço para flexibilidade: diante da alta rotatividade e da falta pontual de tamanhos e de modelos alternativos, como a camisa azul, muitos torcedores optam por garantir a peça disponível para assegurar o sentimento de pertencimento à competição. Os preços estão consolidados em Reais, variando na casa dos R$ 90,00 para as camisetas de numeração adulta, enquanto bandeiras decorativas flutuam entre R$ 25,00 (tamanho pequeno) e R$ 35,00 (tamanho grande).
“Esta comerciante pediu cerca de 200 camisas. Acontece que esse período está ruim por conta dessa briga política [na Bolívia], e as mercadorias vão demorar pelo menos mais duas semanas para chegar. Se quiserem que chegue rápido, tem que trazer de avião, o que torna o uniforme mais caro”, relatou o jornalista Kennedy Santos durante a cobertura local.
Apesar do otimismo econômico gerado pelo torneio, o varejo de Cobija lida com severos gargalos estruturais e geopolíticos. Setores do comércio de confecções relatam atrasos crônicos na entrega de grandes lotes de uniformes encomendados para o período. Conflitos e instabilidades políticas em território boliviano têm bloqueado e atrasado o transporte rodoviário de cargas, forçando os empresários a avaliarem o frete aéreo emergencial — alternativa que encarece o produto final e pode afastar o consumidor da fronteira. Mesmo com os percalços na cadeia de suprimentos, a expectativa é de que o fluxo de vendas se intensifique significativamente nas horas que antecedem as partidas da Seleção.
Por: Victor Bastos


