17 de junho de 2026

Medo impede mais de 35 mil vítimas de denunciar crimes cibernéticos em Rio Branco

Mais de 35 mil vítimas deixaram de denunciar crimes cibernéticos nos últimos 12 meses na capital acreana

Medo impede mais de 35 mil vítimas de denunciar crimes cibernéticos em Rio Branco

O medo de retaliação, a vergonha e a falta de confiança no sistema de justiça fizeram com que mais de 35 mil vítimas deixassem de denunciar crimes cibernéticos em Rio Branco. A estimativa faz parte da primeira edição da Pesquisa de Vitimização em Rio Branco, realizada pela Universidade Federal do Acre (Ufac) em parceria com outras instituições e divulgada nesta terça-feira (16).

O estudo ouviu 800 pessoas em diferentes regiões da capital acreana e analisou a experiência da população em relação à criminalidade e à segurança pública. Um dos principais recortes da pesquisa trata justamente das fraudes cometidas pela internet e por meios eletrônicos.

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De acordo com os dados apresentados, cerca de 35.062 vítimas não procuraram as autoridades para registrar ocorrências relacionadas a crimes cibernéticos nos últimos 12 meses. A pesquisa aponta uma taxa de subnotificação de 111,7%, revelando que uma grande parcela dos casos sequer chega ao conhecimento dos órgãos de segurança.

Segundo o professor doutor Ermício Sena, coordenador do estudo, o registro das ocorrências é fundamental para que políticas públicas mais eficientes sejam implementadas.

“No caso dos crimes tecnológicos, através do telefone e internet, na medida em que você tem essa subnotificação levantada e registra, você ajuda as políticas públicas”, explicou o pesquisador.

A pesquisa também trouxe números preocupantes sobre golpes aplicados por telefone celular. Nesse tipo de crime, a estimativa é de que aproximadamente 27.091 vítimas tenham deixado de comunicar os casos às autoridades.

Os dados mostram ainda que, nos últimos 12 meses, 14,3% dos entrevistados afirmaram ter sido vítimas de fraude pela internet. Outros 11,9% relataram ter sofrido golpes pelo telefone celular, enquanto 8,3% disseram ter sido vítimas de fraude envolvendo cartão de crédito.

Especialistas alertam que o avanço da tecnologia e o aumento das transações digitais têm sido acompanhados pelo crescimento dos golpes virtuais, que utilizam desde mensagens falsas e clonagem de aplicativos até fraudes bancárias e roubo de dados pessoais.

Para os pesquisadores, a subnotificação representa um desafio para a segurança pública, já que dificulta a criação de estratégias de combate aos crimes digitais e impede que as autoridades tenham uma dimensão exata do problema.

A expectativa é que os resultados da Pesquisa de Vitimização sirvam como base para a formulação de ações preventivas e campanhas de conscientização, incentivando a população a denunciar e buscar ajuda sempre que for vítima de fraudes ou golpes pela internet.