O medo de retaliação, a vergonha e a falta de confiança no sistema de justiça fizeram com que mais de 35 mil vítimas deixassem de denunciar crimes cibernéticos em Rio Branco. A estimativa faz parte da primeira edição da Pesquisa de Vitimização em Rio Branco, realizada pela Universidade Federal do Acre (Ufac) em parceria com outras instituições e divulgada nesta terça-feira (16).
O estudo ouviu 800 pessoas em diferentes regiões da capital acreana e analisou a experiência da população em relação à criminalidade e à segurança pública. Um dos principais recortes da pesquisa trata justamente das fraudes cometidas pela internet e por meios eletrônicos.
De acordo com os dados apresentados, cerca de 35.062 vítimas não procuraram as autoridades para registrar ocorrências relacionadas a crimes cibernéticos nos últimos 12 meses. A pesquisa aponta uma taxa de subnotificação de 111,7%, revelando que uma grande parcela dos casos sequer chega ao conhecimento dos órgãos de segurança.
Segundo o professor doutor Ermício Sena, coordenador do estudo, o registro das ocorrências é fundamental para que políticas públicas mais eficientes sejam implementadas.
“No caso dos crimes tecnológicos, através do telefone e internet, na medida em que você tem essa subnotificação levantada e registra, você ajuda as políticas públicas”, explicou o pesquisador.
A pesquisa também trouxe números preocupantes sobre golpes aplicados por telefone celular. Nesse tipo de crime, a estimativa é de que aproximadamente 27.091 vítimas tenham deixado de comunicar os casos às autoridades.
Os dados mostram ainda que, nos últimos 12 meses, 14,3% dos entrevistados afirmaram ter sido vítimas de fraude pela internet. Outros 11,9% relataram ter sofrido golpes pelo telefone celular, enquanto 8,3% disseram ter sido vítimas de fraude envolvendo cartão de crédito.
Especialistas alertam que o avanço da tecnologia e o aumento das transações digitais têm sido acompanhados pelo crescimento dos golpes virtuais, que utilizam desde mensagens falsas e clonagem de aplicativos até fraudes bancárias e roubo de dados pessoais.
Para os pesquisadores, a subnotificação representa um desafio para a segurança pública, já que dificulta a criação de estratégias de combate aos crimes digitais e impede que as autoridades tenham uma dimensão exata do problema.
A expectativa é que os resultados da Pesquisa de Vitimização sirvam como base para a formulação de ações preventivas e campanhas de conscientização, incentivando a população a denunciar e buscar ajuda sempre que for vítima de fraudes ou golpes pela internet.



