10 de junho de 2026

Desperdício de água no Acre equivale a 27 piscinas olímpicas por dia, revela estudo

Mais da metade da água distribuída no estado se perde antes de chegar às torneiras da população.

Desperdício de água no Acre equivale a 27 piscinas olímpicas por dia, revela estudo
Foto: Reprodução.

O desperdício de água no Acre equivale a 27 piscinas olímpicas por dia, segundo um levantamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados. Os dados mostram que mais da metade da água distribuída no estado é perdida antes de chegar ao consumidor final.

De acordo com o estudo, o Acre registrou índice de perdas na distribuição de 56,48% em 2024, número muito acima da média nacional, que ficou em 39,53%. Na prática, o volume desperdiçado diariamente corresponde a cerca de 90.983 caixas d’água de 750 litros.

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O relatório aponta que as perdas podem ocorrer em diferentes etapas do sistema de abastecimento, incluindo vazamentos nas redes, falhas operacionais, erros de medição, ligações irregulares e inconsistências cadastrais. Além dos prejuízos financeiros, a situação também gera impactos ambientais e reduz a eficiência dos serviços de saneamento.

Segundo os dados apresentados, caso o Acre consiga atingir a meta estabelecida pelo Ministério das Cidades, que prevê redução das perdas para 25% até 2033, seria possível ampliar o abastecimento para aproximadamente 154.671 pessoas.

A situação em Rio Branco também chama atenção. A capital acreana aparece entre as dez cidades brasileiras com os maiores índices de perdas na distribuição de água. Conforme o levantamento, 53,35% da água distribuída na cidade é desperdiçada antes de chegar aos consumidores.

O estudo mostra ainda que cada ligação de água em Rio Branco perde, em média, 951 litros por dia, número mais de quatro vezes superior ao limite considerado adequado, de 216 litros diários por ligação.

Em termos práticos, o desperdício registrado na capital equivale a cerca de 14 piscinas olímpicas ou 46.891 caixas d’água de 750 litros todos os dias. Com a redução dessas perdas, aproximadamente 68.753 pessoas poderiam ser beneficiadas com o abastecimento.

Os pesquisadores destacam que a redução dos índices de desperdício representa um dos principais desafios para os sistemas de saneamento do país. Além de preservar os recursos hídricos, a medida contribui para diminuir custos operacionais e ampliar o acesso da população à água tratada.

No cenário nacional, o volume de água perdido em 2024 seria suficiente para abastecer cerca de 77 milhões de pessoas durante um ano inteiro. O estudo também estima que, caso o país alcance a meta de perdas de 25% até 2033, os ganhos econômicos podem chegar a R$ 47,3 bilhões, além de aumentar a capacidade dos sistemas de abastecimento diante dos impactos das mudanças climáticas.

Com informações do G1 Acre.