28 de junho de 2026

El Niño exige ação imediata: não podemos esperar a próxima tragédia

Amazônia pode enfrentar uma das secas mais severas da história e especialistas alertam para impactos devastadores.

El Niño exige ação imediata: não podemos esperar a próxima tragédia
Fenômeno El Niño intensifica estiagem, queimadas e riscos sociais na Região Norte. - Credito: Imagem gerada por IA/Gemini

O El Niño exige ação imediata e a Amazônia já vive mais um momento de alerta. As previsões dos órgãos de meteorologia apontam que a estiagem deste ano poderá ser uma das mais severas já registradas na Região Norte.

A Amazônia vive mais um momento de alerta. As previsões dos órgãos de meteorologia apontam que a estiagem deste ano poderá ser uma das mais severas já registradas na Região Norte. O fortalecimento do fenômeno El Niño promete elevar as temperaturas, reduzir drasticamente as chuvas, aumentar o risco de queimadas e provocar uma vazante histórica dos rios.

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Esses dados não devem ser encarados apenas como números técnicos. Eles representam vidas que poderão ser afetadas. Representam famílias que poderão enfrentar dificuldades para conseguir água, alimento, transporte e atendimento de saúde. Representam comunidades inteiras que poderão ficar isoladas durante meses.

Como acreano, acompanho com preocupação cada previsão divulgada pelos especialistas. Como pessoa com deficiência física e na voz, conheço de perto os desafios enfrentados por quem depende de políticas públicas eficientes para garantir dignidade. E, como Diretor Nacional de Políticas Públicas da Rede Observatório BPC e Coordenador Estadual da Rede Observatório BPC no Acre, acredito que este é o momento de unir esforços e agir antes que a situação se torne ainda mais grave.

O Acre já conhece os efeitos das mudanças climáticas. Nos últimos anos convivemos com enchentes históricas, secas prolongadas, fumaça intensa causada pelas queimadas e temperaturas cada vez mais elevadas. Esses eventos extremos deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte da realidade da população amazônica.

As pessoas com deficiência, os idosos, as crianças, as gestantes e os pacientes com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis. O calor excessivo, a baixa umidade do ar e a fumaça provocam agravamento de doenças respiratórias, cardiovasculares e neurológicas. Muitas famílias enfrentam dificuldades até mesmo para se deslocar em busca de atendimento médico quando os rios ficam secos ou as estradas são comprometidas.

É preciso compreender que enfrentar os impactos do El Niño não é responsabilidade apenas da Defesa Civil ou dos bombeiros. Trata-se de um desafio que exige integração entre todas as áreas do poder público: saúde, assistência social, educação, infraestrutura, meio ambiente, segurança pública e desenvolvimento regional.

Faço um apelo ao Governo Federal para que fortaleça o apoio aos estados da Amazônia Legal, garantindo recursos extraordinários para prevenção, combate aos incêndios florestais, assistência às famílias atingidas e reforço da estrutura da saúde pública. Também é fundamental ampliar os investimentos em programas sociais que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), do Bolsa Família e demais famílias de baixa renda.

Da mesma forma, faço um apelo ao Governo do Estado do Acre e às prefeituras para que instituam comitês permanentes de enfrentamento à estiagem, ampliem os estoques de medicamentos, reforcem o abastecimento de água, preparem planos de contingência para comunidades isoladas e intensifiquem as campanhas de conscientização sobre prevenção às queimadas.

Cada cidadão também tem um papel importante. Evitar queimadas, economizar água, proteger as áreas de floresta e denunciar crimes ambientais são atitudes que ajudam a preservar vidas e reduzir os impactos da seca.

Não podemos tratar esta situação apenas quando os rios secarem, quando os hospitais estiverem lotados ou quando a fumaça tomar conta das cidades. A prevenção custa menos do que a reconstrução.

A Amazônia é um patrimônio do Brasil e do mundo. Cuidar dela significa cuidar das pessoas que vivem nela. Significa proteger nossas crianças, nossos idosos, nossos trabalhadores rurais, nossos povos indígenas, ribeirinhos e todas as famílias que dependem da floresta para sobreviver.

Que este momento sirva como um chamado à responsabilidade coletiva. O El Niño não escolhe quem será atingido. Seus efeitos alcançam toda a sociedade. Mas, com planejamento, união e compromisso dos governos e da população, é possível reduzir danos, salvar vidas e proteger o futuro da nossa região.

O tempo para agir é agora. Esperar não é uma opção.

Por Samoel Andrade