O Brasil entra em campo nesta quarta-feira (24/6) olhando para a liderança do Grupo C. Do outro lado, porém, estará uma seleção que chega movida por uma oportunidade ainda maior. A Escócia, além de buscar uma vaga no mata-mata da Copa do Mundo, disputa um lugar na própria história.
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Ausentes do Mundial desde 1998, os escoceses encerraram uma espera de 28 anos ao garantirem classificação para a edição de 2026. Agora, chegam à rodada decisiva dependendo de uma vitória sobre a Seleção Brasileira para transformar o retorno ao principal palco do futebol em um dos capítulos mais marcantes de sua trajetória. Para o Brasil, trata-se de mais um jogo de fase de grupos. Para a Escócia, pode ser a partida mais importante de uma geração.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Scott McTominay jogando pela EscóciaReprodução/Istagram/Seleção Escocesa Andy Robertson, capitão da EscóciaReprodução
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O confronto desta quarta acrescentará mais um capítulo a uma história rara entre as duas seleções. Brasil e Escócia se enfrentaram na abertura da Copa do Mundo de 1998, justamente a última disputada pelos escoceses antes do longo período de ausência dos Mundiais.
Naquela ocasião, a Seleção venceu por 2 a 1 em Paris, com gols de César Sampaio e um gol contra de Tom Boyd. O resultado iniciou a campanha que levaria os brasileiros até a final daquela Copa.
Desde então, os caminhos praticamente não voltaram a se cruzar em jogos de grande relevância. O último foi em 2011, no amistoso vencido pelo Brasil com dois gols de Neymar, que tem chance de estrear hoje no Mundial. Agora, quase três décadas depois, a Escócia retorna ao cenário mundial justamente diante do mesmo adversário que marcou sua despedida do torneio.
O fim de uma espera de 28 anos
A classificação para a Copa não aconteceu sem drama. Os escoceses chegaram à rodada final das Eliminatórias Europeias precisando derrotar a Dinamarca para garantir a vaga. O empate favorecia os dinamarqueses.
A missão parecia escapar até a reta final da partida. Mas a Escócia encontrou forças nos minutos decisivos, marcou três vezes após os 30 minutos do segundo tempo e venceu por 4 a 2, encerrando uma ausência que atravessou gerações de torcedores. O resultado colocou fim a um dos maiores jejuns entre as seleções tradicionais do continente europeu.
A estabilidade que virou marca registrada
Poucas seleções presentes nesta Copa possuem uma relação tão duradoura com seu treinador quanto a Escócia. Steve Clarke assumiu a equipe em 2019 e chega ao Mundial completando sete anos no comando técnico.
A continuidade permitiu que a seleção desenvolvesse uma identidade bastante clara. Dependendo do adversário, Clarke alterna entre sistemas com três zagueiros ou uma linha tradicional de quatro defensores. Mais importante do que o desenho, porém, é o comportamento.
Contra equipes de maior capacidade técnica, a Escócia costuma recuar suas linhas, diminuir espaços e apostar em transições rápidas. É um estilo que privilegia a disciplina defensiva, a intensidade física e o jogo aéreo.
O motor chamado McTominay
Se existe um nome capaz de alterar o rumo da partida para os escoceses, ele atende por Scott McTominay. Oficialmente meio-campista, o jogador do Napoli atua muitas vezes como um elemento surpresa no ataque. É comum vê-lo surgir dentro da área adversária ou aparecer como finalizador em jogadas construídas pelos lados do campo.
Foi dele, inclusive, um dos momentos mais emblemáticos da campanha classificatória: um gol de bicicleta contra a Dinamarca na partida que garantiu a vaga para a Copa.
Nas últimas duas temporadas pelo Napoli, McTominay acumulou 27 gols, números incomuns para um jogador de sua posição. Sua movimentação costuma representar um dos principais desafios para as defesas adversárias.
Robertson lidera uma geração experiente
Ao lado de McTominay, a Escócia conta com um núcleo de jogadores acostumados aos principais campeonatos da Europa. O capitão Andy Robertson, do Liverpool, é o principal símbolo dessa geração. Dono de mais de uma década em alto nível na Premier League, o lateral-esquerdo é uma das vozes de liderança dentro do elenco.
Outro nome conhecido é Kieran Tierney, que retornou ao Celtic após passagem pelo Arsenal e costuma atuar tanto como defensor quanto em funções mais ofensivas pelo lado esquerdo.
O meio-campo ainda reúne jogadores como John McGinn, campeão da Europa League pelo Aston Villa, e Ryan Christie, um dos destaques do Bournemouth nas últimas temporadas. No ataque, Che Adams, do Torino da Itália, aparece como principal referência ofensiva.
O perigo pode estar onde o Brasil menos espera
Os números do ciclo escocês não impressionam. Em 37 partidas antes da Copa, a seleção acumulou 13 vitórias, seis empates e 18 derrotas, com saldo negativo de gols.
Mas a própria campanha no Mundial mostra uma equipe competitiva. A vitória por 1 a 0 sobre o Haiti colocou a Escócia na disputa pela classificação. Já a derrota para Marrocos aconteceu por placar mínimo, em um jogo decidido logo nos minutos iniciais.
O cenário da última rodada cria uma combinação que costuma ser perigosa em torneios curtos.A Escócia entra em campo sabendo exatamente o que precisa fazer: vencer.
Sem margem para administrar resultado, sem necessidade de cálculos complexos e sem o peso histórico que acompanha a Seleção Brasileira. É justamente essa clareza de objetivo que transforma os escoceses em um adversário que exige atenção.


