A intérprete de Libras Luciana Araújo dos Santos tem sido um dos destaques da temporada junina em Rio Branco. Integrando a equipe da Junina Pega-Pega, ela participa dos ensaios e apresentações enquanto vive um momento especial na vida pessoal: a espera por mais um filho.
Esta é a segunda vez que Luciana acompanha os festejos juninos durante a gravidez. Mesmo à espera de um bebê, ela continua desempenhando o trabalho de tradução das músicas, coreografias e narrativas apresentadas pela quadrilha, permitindo que pessoas surdas tenham acesso ao conteúdo cultural levado para a arena.
A relação da profissional com o movimento junino já dura 28 anos. Ao longo dessa trajetória, ela acompanhou diferentes fases da cultura popular acreana e se tornou uma das referências na promoção da acessibilidade dentro dos festivais.
Formada em Letras-Libras pela Universidade Federal do Acre (Ufac), Luciana também possui mestrado pela instituição e atualmente cursa doutorado. Nos últimos cinco anos, passou a atuar diretamente na interpretação das apresentações juninas, função que considera fundamental para garantir a inclusão da comunidade surda nos eventos culturais.
Segundo ela, a presença dos intérpretes de Libras nos festivais representa um importante avanço, mas ainda existem desafios relacionados à estrutura disponibilizada para esses profissionais.
Luciana explica que os eventos ainda não contam com espaços específicos destinados à atuação dos tradutores, o que dificulta o trabalho e pode comprometer a visualização da interpretação pelo público.
De acordo com a intérprete, questões como iluminação adequada, posicionamento estratégico e visibilidade precisam ser consideradas na organização dos festivais para que as pessoas surdas consigam acompanhar simultaneamente a apresentação artística e a tradução em Libras.
“O trabalho existe para que o público surdo tenha acesso ao conteúdo cultural apresentado na arena. Mas ainda não conquistamos um espaço que contemple as necessidades da interpretação dentro dos festivais”, afirmou.
Para a profissional, a discussão sobre acessibilidade nos arraiais precisa avançar para além da simples presença de intérpretes durante os eventos.
Ela defende que a estrutura dos festivais seja planejada desde o início para atender as necessidades da comunidade surda, garantindo igualdade de acesso às apresentações culturais.
Segundo Luciana, a interpretação em Libras deve ser tratada como parte integrante do espetáculo, permitindo que o público acompanhe com clareza tanto as apresentações quanto a tradução realizada pelos profissionais.
A participação da intérprete grávida nos ensaios da Junina Pega-Pega também tem chamado atenção pelo exemplo de dedicação e compromisso com a inclusão cultural, reforçando a importância da acessibilidade dentro das manifestações populares do Acre.
Enquanto se prepara para receber o novo integrante da família, Luciana segue firme na temporada junina de 2026, contribuindo para que mais pessoas possam vivenciar plenamente uma das tradições culturais mais populares da região.



