Jaques Wagner recorreu ao STF após a operação da PF e, nos últimos dias, intensificou uma série de articulações políticas e jurídicas para tentar conter o desgaste em sua imagem após ter sido alvo de uma ação da Polícia Federal na semana passada.
O parlamentar está na Bahia desde o dia 18 de junho, quando ocorreu a operação, e tem mantido conversas com lideranças políticas locais, entre elas o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e o ex-ministro Rui Costa. Ambos são aliados próximos e devem integrar sua base de apoio em eventual campanha à reeleição.
Além das articulações no estado, Jaques Wagner também procurou colegas no Senado em busca de reforço político. Entre os contatos, esteve o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar, que também é baiano e aliado histórico do senador.
Nos bastidores do Congresso, o parlamentar tem recebido manifestações públicas de apoio. O senador Plínio Valério afirmou que Wagner não teria atuado em favor da chamada “Emenda Master”, contrapondo parte das suspeitas levantadas no âmbito da investigação.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também se manifestou publicamente em defesa do respeito ao devido processo legal, criticando julgamentos antecipados contra agentes públicos. Em declarações recentes, ele afirmou acreditar que os fatos serão esclarecidos ao longo da apuração.
Paralelamente às articulações políticas, Jaques Wagner acionou o Supremo Tribunal Federal na segunda-feira (22), pedindo a anulação da operação que resultou em mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador.
A defesa sustenta a existência de falhas processuais e afirma que há “erros graves que comprometem a medida”. Os advogados argumentam ainda que o senador não teria atuado em favorecimento ao Banco Master durante a tramitação de propostas legislativas no Congresso.
Segundo a investigação, um dos pontos analisados envolve a tramitação de uma medida provisória que tratava da ampliação do crédito consignado. A defesa, no entanto, afirma que as emendas apresentadas por Wagner tinham o objetivo de proteger consumidores e limitar juros.
Outro episódio citado diz respeito à tramitação de uma proposta de emenda constitucional sobre a autonomia do Banco Central. Nesse contexto, a chamada “Emenda Master”, apresentada por outro parlamentar, teria ampliado a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
A equipe jurídica do senador afirma que ele se posicionou contra a proposta e que sua atuação no Congresso é pública e documentada, sendo reforçada por declarações de parlamentares envolvidos na tramitação.
No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a operação gerou impacto político e desgastes na articulação do governo. Há discussões internas sobre a permanência de Jaques Wagner na liderança do governo no Senado, embora a decisão final deva ocorrer após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados.
Lula já manteve contato inicial com o senador por telefone e deve se reunir com ele em Brasília nos próximos dias para avaliar o cenário político e os desdobramentos do caso.


