8 de junho de 2026

Por que Wesley foi cortado da Copa e Neymar ficou? Especialista explica diferença das lesões

Por que Wesley foi cortado da Copa e Neymar ficou? Especialista explica diferença das lesões
Por que Wesley foi cortado da Copa e Neymar ficou? Especialista explica diferença das lesões

O corte de Wesley da Seleção Brasileira às vésperas da Copa do Mundo gerou questionamentos entre os torcedores, principalmente porque Neymar, que também está lesionado, permaneceu entre os convocados. Embora ambos tenham sofrido lesões musculares, a gravidade do quadro clínico e o estágio da recuperação foram determinantes para decisões distintas da comissão técnica. Em entrevista ao portal LeoDias, o fisioterapeuta especialista em traumato-ortopedia e reabilitação de atletas de alto rendimento, Matheus Finatti, explicou os motivos que pesaram na permanência de Neymar e no corte do lateral-direito da Roma.

Wesley sofreu uma lesão grau 3 no músculo adutor da coxa esquerda durante o amistoso contra o Egito. O diagnóstico apontou ruptura de mais de 50% das fibras musculares da região, com previsão de recuperação de pelo menos seis semanas. Já Neymar trata uma lesão muscular grau 2 na panturrilha direita desde 17 de maio e segue em reabilitação.

- Publicidade -

Veja as fotosAbrir em tela cheia Wesley sentiu lesão em amistoso contra o Egito e pode ser cortado da Copa do Mundo uma semana antes da estreia / Reprodução: TV Globo Casemiro e Wesley em lance contra a FrançaReprodução/CBF Wesley, lateral-direito deve atuar no lugar de Gabriel Magalhães na partida diante da TunísiaFoto: Rafael Ribeiro/CBF Wesley em entrada no jogo do Flamengo durante o Mundial de ClubesReprodução/Instagram Neymar Jr.Crédito: Reprodução Instagram @neymarjr Neymar desceu ao campo de treinamento e assistiu ao treino da Seleção Brasileira na sexta-feira (29/5)Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Voltar
Próximo

Leia Também

Copa do Mundo
“Vamos ganhar essa p*”, Neymar chora e faz promessa a Raphinha após convocação

Esportes
Ancelotti avisa sobre convocação da Seleção Brasileira: “Não é uma lista definitiva”

Esportes
CBF divulga numeração da Seleção Brasileira para Data Fifa de março

Esportes
Decisão pode classificar Argentina e complicar Brasil nas Eliminatórias do Mundial

Tempo de recuperação foi decisivo
Segundo Finatti, o principal fator considerado em uma competição de curta duração é o tempo necessário para o retorno do atleta. “Quando estamos diante de um evento esportivo de curto prazo, o tempo de retorno, prognóstico, é fundamental nessa tomada de decisão. Em lesões agudas com uma proximidade tão grande da Copa, fica quase inviável um atleta ter tempo hábil de recuperação.”

O especialista destaca que Neymar já está em uma etapa mais avançada do tratamento. “O que conta a favor de Neymar é que ele já está em reabilitação, sua lesão aconteceu em 17 de maio. Ou seja, está com três semanas de reabilitação. Sendo que, no caso do Wesley, a lesão é ainda mais severa e com uma semana para o início da Copa.”

O que diferencia uma lesão grau 2 de uma grau 3?
De acordo com Finatti, a severidade da lesão é o principal elemento que influencia o prognóstico e o tempo de recuperação. “A severidade da lesão é o que mais impacta devido ao tempo de recuperação. Para irmos mais a fundo sobre severidade, não temos uma informação que é extremamente relevante, que é a área afetada do músculo.”

Ele explica que atualmente existe uma classificação considerada a mais aceita para definir a gravidade da lesão. “Hoje existe uma classificação que é a mais aceitável, que define a severidade através do tamanho da lesão (grau 1, 2, 3) e da área afetada (A – miofascial, B – miotendínea e C – intratendínea).”

Ainda segundo o especialista: “Apenas pela classificação como grau 3 já indica que mais de 50% do músculo foi afetado. Isso já gera um prognóstico mais extenso. Lesões grau 2 têm uma margem de 10% a 50% do músculo afetado.”

A gravidade da lesão de Wesley
Ao detalhar o quadro clínico do lateral, Finatti explica o que representa uma lesão grau 3. “Nas lesões grau 3, se pegarmos a área de secção transversa do músculo, é como se mais da metade dela fosse rompida. A nível longitudinal, são lesões com extensão maior que 15 cm, ou seja, uma área bem grande acometida.”

É possível comparar a lesão de Wesley com a de Neymar?
Para o fisioterapeuta, a comparação direta entre as duas lesões deve ser feita com cautela, já que os músculos possuem funções diferentes. “Não temos como comparar músculos diferentes, é como comparar maçã com uva. São reabilitações diferentes de músculos que têm funções diferentes.”

Ele ressalta ainda que faltam informações importantes para uma análise mais detalhada. “Ainda mais sem saber a área exata lesionada (intratendínea, miotendínea ou miofascial). Cada grupo muscular tem um tempo de cicatrização e é dependente da função que exerce.”

Sobre o músculo afetado no caso de Wesley, ele explica: “O adutor longo, que é o mais acometido (temos três adutores), tem a função de aduzir (fechar) a perna, além de auxiliar na extensão do quadril. Ou seja, está presente em ações de passe, chute, mudança de direção e na corrida em velocidades maiores, logo é um músculo solicitado a todo momento no futebol, bem como a panturrilha.”

Lesão no adutor ou na panturrilha: qual preocupa mais?
Finatti afirma que ambas exigem atenção especial no futebol de alto rendimento. “Ambas as lesões têm alta preocupação por serem muito utilizadas na prática do futebol, sendo a panturrilha ainda mais hipersolicitada, pois em todo passo temos uma grande ativação dela. Mas, se tratando de futebol, ambas são impactantes.”

O especialista acrescenta que fatores como idade e histórico de lesões também influenciam no prognóstico. “Lesões de panturrilha são mais prevalentes em atletas 30+, o que faz o prognóstico ser ainda mais difícil. Wesley é mais jovem, isso melhora o prognóstico. Lesões prévias também têm uma influência muito grande.”

Os riscos de antecipar o retorno
Questionado sobre a possibilidade de Wesley acelerar sua recuperação, Finatti alerta para os riscos. “Os riscos de retorno precoce em lesões musculares são altos, representando 35% a 40%, sendo que quanto mais grave, maior essa estatística.”

Além disso, ele destaca possíveis complicações futuras. “Além disso, pode evoluir com um tecido cicatricial inadequado (fibrose), com maior risco ao longo da carreira, além de outras consequências, como síndrome da dor persistente e alterações biomecânicas.”

Quanto tempo leva para voltar?
O tempo de recuperação varia conforme o subtipo da lesão muscular. “Uma lesão 3A: a literatura traz um prognóstico de 6 a 8 semanas; uma 3B: de 8 a 12 semanas; e uma 3C pode chegar a 16 semanas.”

Finatti ressalta a importância de um diagnóstico preciso. “A taxa de sucesso no retorno vai de 85% nas 3A até 20% a 30% em lesões 3C. O diagnóstico preciso com auxílio dos exames de imagem é primordial para nortear o tratamento.”

Como será a recuperação de Wesley?
O fisioterapeuta explica que o processo de reabilitação é dividido em etapas bem definidas. “Uma reabilitação adequada deve ter uma divisão por fases muito clara, tendo objetivos claros para progressão entre elas.”

Sobre a primeira etapa, ele detalha: “Na primeira fase, o grande objetivo é o controle da dor e do processo inflamatório. Isso pode perdurar de sete a 14 dias. Como critério para evolução dessa fase, elencamos a redução da dor baseada em uma escala, além do retorno às atividades de vida diária sem queixas e amplitude de movimento quase livre.”

Em seguida, o foco passa a ser a recuperação da mobilidade e da ativação muscular. “Na segunda fase, o grande objetivo é trabalhar mobilidade e as ativações musculares da região, o que pode perdurar entre duas e seis semanas. Os principais critérios para progressão são ter uma amplitude de movimento 100% restaurada, além de uma força isométrica maior que 60% comparada com o membro sadio e dor menor que dois na escala de dor.”

A terceira fase é dedicada ao fortalecimento. “Na fase três, o grande objetivo é o fortalecimento progressivo, que pode ficar entre a quarta e a décima semana. Nesse período, os critérios para evoluir seriam ter uma capacidade de força maior que 80% a 85% do membro contralateral. Podemos usar alguns testes, como o teste Copenhagen, no qual o atleta tem que permanecer por pelo menos 30 segundos sem dor.”

Na etapa seguinte, começa o retorno aos movimentos específicos do esporte. “Na fase quatro, que seria a fase de retorno à função, a gente já espera uma força maior que 95%, iniciar valências como velocidade, potência e mudanças de direção, além da exposição do atleta aos movimentos do esporte.”

Por fim, vem o período de readaptação às cargas de treino e jogo. “Na fase cinco, que duraria da oitava até a 16ª semana, seria uma fase de tolerância à carga, construção de carga crônica de treinamento e atingir níveis próximos aos níveis que o atleta estava acostumado a realizar em treinos e jogos.”

O motivo da permanência de Neymar
Ao resumir a diferença entre os dois casos, Finatti aponta dois fatores centrais: menor gravidade da lesão e estágio mais avançado da recuperação.

“Neymar está em fase mais avançada da reabilitação e com um diagnóstico de severidade menor, apesar da musculatura envolvida e da sua idade”, finalizou.