3 de junho de 2026

Promotor chama Jairinho de “psicopata severo” e diz que Monique ignorou sinais de violência

Promotor chama Jairinho de “psicopata severo” e diz que Monique ignorou sinais de violência
Promotor chama Jairinho de “psicopata severo” e diz que Monique ignorou sinais de violência

O julgamento do caso Henry Borel chegou ao seu décimo dia nesta quarta-feira (3/6), com os debates entre a acusação, na figura do Ministério Público, e a defesa dos réus. A repórter do portal LeoDias, Patrícia Teixeira, acompanhou o júri. Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, respondem pelo crime do menino Henry Borel, morto aos quatro anos em março de 2021.

O promotor Fábio Vieira foi o primeiro a fazer suas considerações durante a fase de debates. Ao abordar os relatos feitos por Monique durante o interrogatório, o representante do Ministério Público argumentou que os comportamentos atribuídos ao ex-vereador seriam suficientes para despertar preocupação em qualquer pessoa. “Uma pessoa que tem a função de observar comportamentos, por ter sido professora e diretora de escola, vai dizer que um homem que invade sua casa, a enforca, instala um espião no seu telefone e demonstra ciúmes excessivo não representava perigo?”, questionou o promotor diante dos jurados.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Henry Borel foi levado desacordado ao Hospital Barra D’Or, mas não resistiu e faleceuCrédito: Arquivo pessoal Leniel Borel, pai de Henry Borel, é engenheiro e políticoReprodução: Instagram/@lenielborel Monique Medeiros, mãe do menino Henry BorelReprodução: Record Outdoor com Henry Borel, distribuído por várias cidades do paísDivulgação: Leniel Borel Henry BorelCrédito: Arquivo pessoal

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Fábio Vieira também destacou que Monique possuía independência financeira e uma ampla rede de apoio familiar, fatores que, segundo ele, enfraquecem a tese de que ela estaria completamente submetida ao então companheiro. “A cegueira dela não se explica”, afirmou.

O promotor ainda citou o depoimento de Débora, ex-companheira de Jairinho, para sustentar que havia sinais anteriores sobre o comportamento do réu. Segundo ele, a ex-companheira relatou um relacionamento de seis anos com Jairo, ainda casado. Conforme o depoimento, mesmo sabendo da situação conjugal, Monique teria continuado o namoro e morado com ele.

Em outro momento da sustentação, Fábio afirmou que os elementos apresentados durante o julgamento apontam para um perfil preocupante do ex-vereador. “Tudo indica que ele é um psicopata severo. E Monique tem, sim, traços de narcisismo. Quando deveria zelar, proteger o filho e dizer que errou, ela não assume. Monique ainda tem a capacidade de dizer que era a melhor mãe do mundo”, destacou.

O representante do Ministério Público também criticou a postura adotada por Monique em relação aos relatos da babá de Henry. Segundo o promotor, a ré chegou a negar os episódios de intimidação sofridos pela funcionária e tentou atribuir a ela parte da responsabilidade pelos acontecimentos.

Em outro momento dos debates, o promotor Fábio sustentou que Monique deixou de perceber diversos sinais que indicariam que Henry estava em situação de risco dentro de casa. O profissional reforçou, ainda, que Jairinho já teria demonstrado comportamento agressivo com crianças antes mesmo de iniciar o relacionamento com Monique, ainda que ela teria alegado não ter conhecimento desses episódios à época. “Na data dos fatos, Henry pediu ao pai para ficar na casa da avó materna, mas Monique não deixou. Ele acabou sendo levado para a residência onde estavam Monique e Jairinho. Ela não ouviu o pedido de socorro daquela criança”, afirmou.

O promotor Fábio destacou que os relatos deveriam ter despertado preocupação na mãe do menino, como o episódio da “banda” relatado por Monique e as queixas feitas pelo próprio Henry sobre um “abraço apertado” dado por Jairinho. “Mesmo sabendo desses episódios, ela não desconfiou. Ela não percebeu os sinais”, argumentou. “Ela não desconfiou quando a babá contou que Jairinho havia se trancado no quarto da criança? Que mãe considera isso normal?”, questionou.

Acusação aponta “descaso” após morte de Henry
A promotora Audrey Alves também utilizou sua sustentação para criticar a postura adotada por Monique nos dias seguintes à morte do filho. Segundo ela, algumas atitudes da ré após o falecimento de Henry demonstrariam uma falta de sensibilidade incompatível com a gravidade da situação: “Que mãe precisa ser orientada sobre qual roupa vestir para ir à delegacia e demonstrar sofrimento?”.

Audrey também relembrou informações apresentadas durante o processo sobre a ida de Monique a um salão de beleza no dia do enterro do filho. “Que mãe vai ao salão de beleza no dia do enterro da própria criança?”, questionou.

Procurada pelo portal LeoDias, a defesa de Jairo Souza Santos afirmou que rebaterá as acusações dadas no décimo dia de julgamento em seu tempo de sustentação. Sobre a afirmação de Jairo ser um “psicopata severo”, o advogado Rodrigo Faucz disse: “Eles utilizam essa expressão com base em um laudo de um psiquiatra que a própria juíza mandou expedir ofício ao CRM para apurar a conduta do médico, pois ele não fez nenhuma entrevista com os acusados”. Já a defesa de Monique Medeiros não se posicionou até a publicação desta matéria.

Os debates seguem no Tribunal do Júri, onde acusação e defesa apresentam suas versões dos fatos antes da decisão dos jurados.